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Entenda por que radares estão sendo desligados em rodovias brasileiras

Medida atinge boa parte das estradas federais

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Entenda por que radares estão sendo desligados em rodovias brasileiras
Foto: Divulgação - Arquivo / Dnit

A redução drástica de verbas federais levou ao desligamento e à retirada de radares fixos em rodovias brasileiras, alterando a rotina de fiscalização em trechos estratégicos e reacendendo o debate sobre segurança viária. A medida, consequência direta de cortes orçamentários e da interrupção de contratos, já provoca reação da Justiça e alerta de especialistas.

Nos últimos meses, motoristas passaram a perceber o sumiço de equipamentos eletrônicos em pontos antes monitorados com rigor. No entanto, o governo federal esclarece que a mudança não representa flexibilização das regras de trânsito, mas sim um efeito colateral da readequação financeira imposta ao setor.

Orçamento enxuto paralisa fiscalização eletrônica

Com a aprovação da Lei Orçamentária de 2025, o Programa Nacional de Controle Eletrônico de Velocidade (PNCV) sofreu uma redução expressiva de recursos. Como resultado, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) perdeu a capacidade de manter contratos ativos e renovar serviços responsáveis pela operação dos radares fixos em rodovias federais.

Além disso, a falta de verba inviabilizou a manutenção dos equipamentos, atingindo milhares de quilômetros da malha viária. Dessa forma, diversos aparelhos foram desligados ou retirados fisicamente, principalmente em trechos administrados diretamente pelo governo federal.

Apesar disso, as autoridades reforçam que os limites de velocidade permanecem válidos. Paralelamente, a Polícia Rodoviária Federal intensificou o uso de radares móveis, aplicados de forma estratégica e em pontos variáveis, justamente para compensar a ausência dos equipamentos fixos.

Estados já sentem efeitos da retirada dos equipamentos

Em Santa Catarina, motoristas relataram a remoção de radares em segmentos importantes das rodovias BR-101 e BR-280. Segundo o DNIT, a medida ocorreu durante um período de transição contratual, o que deixou áreas críticas sem fiscalização eletrônica no início de 2026.

Da mesma forma, Pernambuco registrou trechos federais sem controle de velocidade ainda no fim de 2025, ampliando a percepção nacional de fragilidade na fiscalização. Já em Goiás e no Distrito Federal, falhas operacionais na BR-040 levaram ao cancelamento de infrações, o que gerou questionamentos sobre a confiabilidade do sistema naquele intervalo.

Enquanto isso, no Rio de Janeiro, a retirada de radares na RJ-106 trouxe o tema ao centro das discussões estaduais, evidenciando que o problema também atinge rodovias fora da esfera federal.

Justiça reage e cobra retomada da fiscalização

Diante do impacto direto na segurança viária, a Justiça Federal determinou que o governo adote providências para restabelecer a fiscalização eletrônica. Entre as exigências estão a destinação de novos recursos e a retomada de contratos em trechos considerados críticos para a redução de acidentes.

Especialistas em segurança no trânsito alertam que a ausência de radares fixos pode criar uma falsa sensação de impunidade. Consequentemente, o excesso de velocidade e as manobras arriscadas tendem a aumentar, elevando o risco de colisões graves e mortes nas estradas.

Rodovias concedidas mantêm controle normal

Em contrapartida, rodovias concedidas à iniciativa privada seguem operando com fiscalização plena. Empresas como CCR, Arteris e EcoRodovias mantêm os radares ativos, já que os custos fazem parte dos contratos de concessão e não dependem diretamente do orçamento da União.

Por fim, órgãos de trânsito reforçam que a condução responsável continua sendo fundamental. Independentemente da presença visível de radares, respeitar as normas de circulação permanece como a principal ferramenta para reduzir acidentes e preservar vidas nas rodovias brasileiras.

Murilo José

Sobre o autor

Murilo José

Jornalista do Guararema News, atua na região do médio Vale do Itajaí e Litoral Norte. Suas pautas geralmente são direcionadas a assuntos factuais que tem impacto no dia a dia da comunidade. Murilo também atua com reportagens especiais em projetos autorais. Além disso, também contribui com conteúdo esportivo.

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