
A BR-282 voltou ao centro do debate em Santa Catarina. Principal ligação entre o Oeste e o Litoral, a rodovia registra acidentes graves com frequência e, por isso, motoristas, transportadores e entidades empresariais pressionam o poder público pela duplicação.
Atualmente, o alto fluxo de caminhões, a pista simples e os trechos sinuosos aumentam o risco ao longo do trajeto. Além disso, a demora nos projetos amplia a insatisfação. Embora existam estudos em andamento, a previsão de avanços mais concretos apenas a partir de 2026 reforça a preocupação de quem depende da estrada diariamente.
Motoristas relatam insegurança e prejuízos
Com 16 anos de experiência nas estradas, o motorista e instrutor Juliano Rodrigues Machado afirma que enfrenta dificuldades constantes na BR-282. Segundo ele, a combinação de pista simples, tráfego intenso e ausência de terceiras faixas torna a viagem cansativa e perigosa.
“É uma rodovia estreita, com excesso de veículos e muitos trechos sinuosos. Falta duplicação de ponta a ponta. A gente sai de casa e só sabe que saiu”, relata.
Além da insegurança, ele destaca o impacto financeiro. De acordo com Juliano, o trajeto aumenta o consumo de combustível, acelera o desgaste de pneus e eleva os custos de manutenção dos veículos.
Ambulâncias enfrentam viagens de até 12 horas
Motoristas relatam a dificuldade para realizar ultrapassagens em pista simples. Embora caminhoneiros costumem colaborar, muitos motoristas de veículos leves não cedem passagem às ambulâncias. Por consequência, o trajetodo do Oeste até Florianópolis chega durar de 8 a 12 horas, oferecendo ainda mais risco à vida dos pacientes já debilitados.
Trecho entre Chapecó e Irani é considerado o mais perigoso
Entidades empresariais de Chapecó intensificaram a cobrança, principalmente no trecho entre o município e Irani. O segmento concentra grande fluxo de cargas e conecta a região ao Paraná, ao Rio Grande do Sul e ao Litoral catarinense.
Conforme o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), existem 13 lotes com projetos de duplicação contratados entre Palhoça e São Miguel do Oeste. O lote mais avançado é o do contorno de Santo Amaro da Imperatriz, com previsão de conclusão do projeto em agosto. Ainda assim, representantes do setor produtivo consideram longo o prazo estimado — fim de 2026 ou início de 2027 — para avanços em outros trechos.
Impacto vai além da segurança
Além da redução de acidentes, lideranças do transporte defendem que a duplicação traria ganhos logísticos expressivos. Hoje, um caminhão pode levar de 12 a 14 horas para sair de Chapecó até o Porto de Navegantes. Em uma rodovia duplicada, esse tempo poderia cair quase pela metade.
Consequentemente, a melhoria da infraestrutura permitiria mais viagens mensais, redução de custos operacionais e aumento da competitividade regional.
Enquanto isso, motoristas continuam enfrentando diariamente os riscos da BR-282, considerada o principal elo entre o Oeste catarinense e o restante do Estado.

