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100 anos da Ponte Hercílio Luz reforça legado histórico em sessão especial na Alesc

Evento celebrou os 100 anos do principal cartão-postal de Florianópolis e destacou sua importância econômica, cultural, política e patrimonial para Santa Catarina

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100 anos da Ponte Hercílio Luz reforça legado histórico em sessão especial na Alesc

A Assembleia Legislativa de Santa Catarina realizou na noite de terça-feira (12) uma sessão especial em homenagem aos 100 anos da Ponte Hercílio Luz, em Florianópolis. A solenidade reuniu autoridades, ex-governadores, familiares de Hercílio Luz e profissionais que participaram da manutenção e da restauração da estrutura. O objetivo foi claro: valorizar o legado de uma das maiores obras da história catarinense e reforçar sua importância para o presente e para o futuro do Estado.

A iniciativa partiu do deputado estadual Marcos Vieira (PSDB), que destacou a ponte como símbolo de desenvolvimento e permanência da capital em Florianópolis.

Inaugurada oficialmente em 13 de maio de 1926, a Ponte Hercílio Luz foi a primeira ligação rodoviária entre a Ilha de Santa Catarina e o continente. Com 821 metros de extensão, ela se tornou a maior ponte suspensa do Brasil e permanece como a maior ponte pênsil sustentada por sistema de barras de olhal ainda existente no mundo.

Mais do que aço e concreto, a estrutura virou identidade. Hoje, ela é o principal cartão-postal de Florianópolis e um dos maiores símbolos da memória catarinense.

Uma ponte que mudou a história de Santa Catarina

Durante a sessão, parlamentares e autoridades reforçaram que a construção da ponte foi decisiva para consolidar Florianópolis como capital do Estado. Sem essa ligação definitiva com o continente, havia risco real de transferência da sede administrativa para outra cidade.

Marcos Vieira destacou que Hercílio Luz compreendeu cedo que desenvolvimento exige conexão, mobilidade e visão de futuro. Segundo ele, a ponte não apenas facilitou o deslocamento, mas também fortaleceu a economia, integrou regiões e consolidou a capital.

Foto: Bruno Collaço/Agência Alesc

A obra começou a ganhar forma ainda em 1918, quando Hercílio Luz assumiu o governo e colocou a ligação entre ilha e continente como prioridade absoluta. Em 1922, as obras começaram oficialmente e exigiram um empréstimo que, na época, correspondia a cinco vezes o orçamento anual do Estado.

Ou seja, foi uma aposta ousada. E foi justamente essa ousadia que mudou o destino de Santa Catarina.

Tombamento e preservação entraram no centro do debate

Com o passar das décadas, a preservação da Ponte Hercílio Luz deixou de ser apenas uma pauta técnica e passou a ocupar também o centro do debate político e cultural. Afinal, a estrutura já não era apenas uma ponte. Ela se transformou em patrimônio histórico, arquitetônico e afetivo.

O processo de tombamento envolveu discussões em diferentes esferas, municipal, estadual e federal, além de mobilizar especialistas, lideranças políticas e a sociedade civil.

Entre os nomes que tiveram papel importante nessa defesa está o então deputado estadual César Souza. Em 25 de abril de 1996, ele apresentou o Projeto de Lei nº 89/96, que propunha medidas voltadas ao reconhecimento e fortalecimento da proteção da ponte como patrimônio histórico.

Além da atuação parlamentar, César Souza levou o tema para o debate público de forma constante. Em seu programa de televisão, ele abria espaço para discutir o tombamento federal da Ponte Hercílio Luz e a necessidade urgente de preservação.

Foto: Bruno Collaço/Agência Alesc

Segundo relato de Norberto Ungaretti Jr., em entrevista concedida em 2015, César Souza o convidava semanalmente para participar do programa e aprofundar as discussões sobre o futuro da estrutura. As entrevistas e participações foram registradas pelo próprio Ungaretti Jr. e mais tarde serviram de base para pesquisas sobre esse processo.

Esse movimento ajudou a consolidar uma ideia fundamental: a Hercílio Luz não representa apenas mobilidade urbana. Ela representa memória, pertencimento e patrimônio coletivo.

Reabertura trouxe novo debate sobre uso

Quando a ponte voltou ao centro das atenções por causa da restauração e da reabertura, outra discussão ganhou força: afinal, como ela deveria ser utilizada?

O debate envolveu especialistas, representantes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), autoridades públicas e lideranças locais. O foco passou a ser o equilíbrio entre preservação histórica, turismo e mobilidade urbana.

A proposta defendia que a ponte não poderia virar apenas cenário para fotografia. Ela precisava continuar viva, integrada ao cotidiano da cidade e útil para a população.

Nesse contexto, o então prefeito de Florianópolis, César Souza Júnior, filho do ex-deputado César Souza, também participou das discussões sobre o papel urbano e turístico da estrutura.

A defesa era clara: preservar sem transformar a ponte em peça de museu parada no tempo.

Sessão também homenageou trabalhadores e famílias

A solenidade na Alesc também reconheceu quem ajudou a manter a história de pé. Trabalhadores envolvidos na preservação, familiares de Hercílio Luz e lideranças que participaram da restauração receberam homenagens durante a sessão.

Foto: Bruno Collaço/Agência Alesc

O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, destacou que a Hercílio Luz vai além do patrimônio visual da cidade. Segundo ele, a ponte também cumpre papel essencial na mobilidade urbana e carrega forte valor simbólico.

Para o prefeito, homenagear a ponte significa homenagear a própria cidade e todos que ajudaram a construí-la.

Florianópolis deve muito à Hercílio Luz. E isso não cabe apenas em uma placa comemorativa, cabe na memória coletiva de um povo inteiro.

Cem anos depois, a ponte continua ligando passado e futuro

Depois de décadas de interdição e de um longo processo de restauração, a Ponte Hercílio Luz voltou a receber tráfego em 2019 e retomou seu protagonismo urbano e simbólico.

Agora, ao completar 100 anos, ela segue cumprindo um papel raro: conecta geografia e também gerações.

A ponte liga ilha e continente, mas também liga passado e futuro. Ela sustenta lembranças, decisões políticas, disputas históricas e afetos que atravessam o tempo. E Santa Catarina continua passando por ela todos os dias.

Ismael Melo

Sobre o autor

Ismael Melo

Jornalista do Guararema News, Ismael Melo atua na Grande Florianópolis com foco na cobertura de economia e política regional e nacional. Também produz conteúdos sobre acontecimentos factuais, esportes e temas de repercussão no Brasil. Além disso, possui experiência em radiojornalismo, comunicação institucional, produção audiovisual, podcasts e gestão de conteúdo para diferentes plataformas.

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