
Estupro, coação moral, violência física moldam um cenário que incrivelmente ainda é corriqueiro no Brasil. Dados do Ministério da Justiça, por exemplo, mostram que mais de mil mulheres morrem todos os anos, vítimas de violências em seus relacionamentos.
É justamente aqui que reside a estrita relação entre prazer, obrigação e superação para iniciar novos e saudáveis relacionamentos, embasados em emoção e paixão, despertando o emocional sadio e capaz de prosperar entre parceiros.
Em Santa Catarina, os números oficiais mostram um registro anual acima de 50 casos de feminicídio entre os meses de janeiro a dezembro. Em 2023, o ano começou com seis mortes contra mulher em janeiro, para fechar o ano em 55 casos.
Em 2024, quase a mesma realidade, trazendo um início de ano com cinco mulheres vítimas de seus relacionamento. Número que subiu para 51 até dezembro, com base em dados do portal da Secretaria de Segurança Pública do Estado, onde vemos, ainda, que cidades como Balneário Camboriú, Blumenau, Florianópolis e Chapecó no ranking de violência e crimes violentos.
Terapeuta sexual
Para Márcia Giacomossi, sexóloga e terapeuta sexual com atuação voltada a casos de violência doméstica e moradora de São João Batista, na Grande Florianópolis, há um cenário ainda muito corrompido por crenças de criação, aceitação da agressão como normal do relacionamento e muitas vezes obrigação de fazer sexo por desejos do parceiro e não o próprio.


“Precisamos entender como funciona a relação sexual e a emocional e aqui fica claro que o bom relacionamento e a disposição sexual de cada um, mulher ou homem, precisa de aparato sentimental e figuras emotivas, não necessariamente falando de amor, mas sim de desejos e imagens sexuais que precisam do lado emocional apto a oferecer uma base de desejos mentalizados para transcorrer do pensamento ao real. Impactos negativos afetivos trazem reflexos na vida sadia, digna em vários âmbitos, desde o sexual ao sentimental e de busca por relações prazerosas. Com a agressão dia a dia, aquilo passa a ser tratado como o habitual e as mulheres passam a não se expor, não sair de casa, trancadas em suas próprias baixas estimas e degradação moral, física ou psíquica”, explica Márcia.
Uma mulher com traumas tem forte bloqueio a novos prazeres e parceiros e isso a delimita em não se abrir a novas tentativas, fazendo-se importante o tratamento psicológico e social em seu benefício, porque, talvez, essa mulher que, é ou foi vítima, jamais consiga vivenciar e acreditar na sua capacidade sexual como forma de se autopromover prazer.
Liberdade financeira
“Essa vítima tem a tendência de vivenciar o sexo como desprazer, como obrigação, com lembranças de maus tratos e descuido. É isso que o trabalho emocional dessas pessoas precisa ensejar para associar o prazer a atos sexuais novamente. E muito mais que o lado sexual a exteriorizar, estamos falando em vida social. Os sentimentos de desprazer são levados aos outros âmbitos. Mulheres vítimas de violência, normalmente não têm renda própria e nem vontade ou estima para ir em busca de liberdade financeira. O aspecto emocional, então, é que o mais fica sobrecarregado, tornando o ato de livramento cada vez mais difícil e esses são pontos importante a trabalhar com esse público, com foco em direcionar escolhas melhores, mostrar que há condições de se afastar daquilo e o risco iminente que cada uma corre”, finaliza a especialista.
Sobre Márcia Giacomossi
Palestrante e Mentora de Mulheres, Graduada em Magistério – CNEC Bacharel em Administração – Univali. É ainda, Empresária no ramo de Perfumaria e Cosméticos CEO da loja Dudamaria, com Graduada em Educação SEXUAL com especialização em violência doméstica e contra a mulher – UNISAL/SP, Graduação em PNL – ISULPAR/PR e Formação em COACH – SLAC/SP. Pós Graduada em Neuromarketing – Faculdade Metropolitana Graduada em Comportamento Humano – Centro de Mediadores e Graduanda em Sexologia Clínica – Faculdade Metropolitana. https://www.instagram.com/marciagiacomossi

