
A classificação de facções criminosas como organizações terroristas pelos Estados Unidos envolve sanções financeiras e também provocou articulações políticas e reação do governo brasileiro.
A medida, conduzida pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, prevê congelamento de ativos, bloqueio de acesso ao sistema financeiro americano e proibição de qualquer tipo de “apoio material” às organizações classificadas.
Segundo a jornalista Mariana Sanches, do UOL, a designação também impede que integrantes dessas facções utilizem serviços financeiros ligados aos Estados Unidos.
Articulação política nos bastidores
Nos bastidores, a medida contou com articulação política. O deputado federal Eduardo Bolsonaro pediu pessoalmente apoio aos presidentes Javier Milei, da Argentina, e Nayib Bukele, de El Salvador.
De acordo com a informação, o parlamentar solicitou que ambos ajudassem a avançar a pauta da classificação de terrorismo junto ao ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump.
Governo Lula tenta frear medida
Enquanto isso, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atua para tentar frear a iniciativa. O Palácio do Planalto avalia que a classificação pode afetar a soberania brasileira na área de segurança pública.
Além disso, integrantes do governo demonstram preocupação com a possibilidade de que a medida facilite eventuais intervenções militares norte-americanas na região.
Debate sobre conceito de terrorismo
A diplomacia brasileira também contesta a classificação das facções como organizações terroristas. Segundo o argumento apresentado, esses grupos atuam principalmente com objetivos financeiros.
Assim, o governo sustenta que as facções criminosas buscam lucro e não possuem motivação ideológica ou política, características normalmente associadas a organizações enquadradas como terroristas no cenário internacional.

