
O homem de 21 anos acusado de matar a tiros o pastor Alan Souza Cerqueira teve a prisão em flagrante convertida em preventiva nesta segunda-feira (28). A Justiça tomou a decisão durante audiência de custódia no Fórum de Balneário Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina.
Com a decisão, o acusado permanece preso e ficará à disposição da Justiça no Complexo Penitenciário do Vale do Itajaí, em Canhanduba. A Polícia Civil, por sua vez, segue investigando o assassinato e ainda tenta esclarecer a motivação do crime.
Ataque aconteceu no deque da Barra Sul
Alan, de 36 anos, caminhava com um amigo pelo deque da Barra Sul por volta das 16h30 de domingo (27), quando o atirador apareceu por trás. Segundo o depoimento da testemunha, o suspeito não disse nada antes de encostar a arma na cabeça da vítima e atirar.
Depois do primeiro disparo, o amigo correu para tentar se proteger. Ainda assim, ele relatou ter ouvido outros três tiros. Alan permaneceu caído no deque até a chegada do socorro.
Câmeras de monitoramento registraram toda a ação. Além disso, as imagens ajudaram a Guarda Municipal a identificar a rota de fuga do suspeito.
O homem usava roupas pretas, touca e máscara. Após o ataque, ele fugiu a pé pela rua 4700 e teria jogado um revólver calibre 38 dentro de uma obra.
Guarda prendeu suspeito pouco depois
A Guarda Municipal localizou o suspeito poucos minutos depois do assassinato. Durante a abordagem, os agentes encontraram três munições intactas com ele.
Já o revólver apreendido tinha cinco munições deflagradas. Dessa forma, a arma passou a integrar os elementos que a Polícia Civil analisa para esclarecer a dinâmica do homicídio.
Após a prisão, R.C.F. foi encaminhado à delegacia e recebeu autuação por homicídio qualificado. Durante o interrogatório, entretanto, ele permaneceu em silêncio.
A investigação também levantou um possível histórico policial do suspeito no Rio Grande do Sul. Natural de Pelotas, ele aparece relacionado a uma ocorrência de homicídio no estado vizinho. A Polícia Civil também apura uma possível ligação com organização criminosa, mas ainda não confirmou que ele pertença a alguma facção.
Vítima havia chegado a Santa Catarina há sete meses
Alan era natural de Salvador, na Bahia, e havia se mudado para Santa Catarina cerca de sete meses antes do crime em busca de trabalho. Nas redes sociais, ele publicava principalmente conteúdos religiosos.
O homem compartilhava vídeos de pregações, divulgava cursos bíblicos e se apresentava como obreiro da Igreja Batista Nova Jerusalém.
Pouco antes do assassinato, Alan publicou vídeos gravados no Pontal Norte. Em uma das publicações, manifestou apoio ao então candidato à Presidência Flávio Bolsonaro e escreveu uma mensagem sobre a possibilidade de vitória no primeiro turno.
A Polícia Civil, contudo, ainda não apontou qualquer relação entre essas publicações e o assassinato.
Investigação tenta descobrir a motivação
Após o ataque, Alan recebeu atendimento das equipes de emergência e seguiu para o Hospital Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí. No entanto, ele não resistiu aos ferimentos e morreu na unidade.
O amigo que acompanhava Alan afirmou à polícia que não conhecia nenhuma desavença envolvendo a vítima. Por isso, a investigação agora busca esclarecer se o crime teve alguma motivação específica e se existia uma relação anterior entre Alan e o suspeito.
A Divisão de Investigação Criminal (DIC) assumiu o caso. Além disso, os celulares da vítima e do preso foram apreendidos e devem passar por análise. A Polícia Civil poderá solicitar autorização judicial para acessar dados telefônicos que ajudem a reconstruir os contatos e a relação entre os envolvidos.
Por enquanto, a motivação do homicídio permanece sem esclarecimento.

