
Um crime cercado de mistério e indícios de violência extrema abalou Criciúma, no Sul de Santa Catarina. Maria Eduarda Salvaro, de 21 anos, morreu dentro do apartamento onde morava com o companheiro. Policiais encontraram o corpo na sexta-feira (19), enquanto a Polícia Civil prendeu Eric Cunha, de 24 anos, principal suspeito do caso. Os investigadores tratam a ocorrência como feminicídio.
Segundo a Polícia Militar, familiares procuraram ajuda após receberem mensagens enviadas pelo casal indicando intenção de atentar contra a própria vida. Diante da preocupação, os policiais seguiram até o imóvel, localizado no bairro São Sebastião, e encontraram a jovem sem vida.
As primeiras informações apontam que Maria Eduarda sofreu asfixia com a corda de um roupão. Além disso, a investigação apura a possibilidade de que o corpo tenha permanecido dentro do apartamento por cerca de dois dias.
Versão apresentada pelo suspeito passou a ser contestada
Em depoimento aos policiais, o homem afirmou que ele e a companheira haviam combinado cometer suicídio na madrugada de quarta-feira (17). Segundo a versão dele, apenas a jovem morreu e ele permaneceu no apartamento durante aproximadamente dois dias.
Entretanto, a chegada das equipes da Polícia Civil e da Polícia Científica mudou o rumo das investigações. Os peritos identificaram elementos que levantaram dúvidas sobre a versão apresentada pelo suspeito.
Por isso, a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) de Criciúma passou a investigar o caso como feminicídio.
A delegada Ana Elisa Vargas de Souza informou que os investigadores confrontam as declarações do suspeito com os laudos periciais e demais provas coletadas durante a apuração.
Maria Eduarda e Eric Cunha mantinham um relacionamento havia cerca de três anos.
Ministério Público aponta tentativa de simular suicídio
Durante a audiência de custódia realizada no sábado (20), a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva.
Conforme manifestação do Ministério Público de Santa Catarina, o suspeito teria asfixiado a companheira e, na sequência, tentado criar uma cena de suicídio para afastar a própria responsabilidade pelo crime.
Além disso, o promotor responsável pelo caso destacou que o investigado deixou o apartamento após a morte da jovem. As forças de segurança localizaram o homem posteriormente em Cocal do Sul. Para o Ministério Público, essa circunstância demonstra risco de fuga e reforça a necessidade da prisão preventiva.
Crime expõe mais uma vez a violência contra a mulher
A morte de Maria Eduarda engrossa a lista de casos de violência extrema contra mulheres em Santa Catarina. O feminicídio representa a forma mais grave da violência de gênero e, na maioria das vezes, ocorre dentro de relacionamentos marcados por controle, ameaças e agressões.
Enquanto a Polícia Civil aguarda os laudos da perícia para esclarecer a dinâmica da morte, familiares e amigos se despediram da jovem durante o velório realizado na Capela Mortuária do Cemitério Municipal de Siderópolis.
Como denunciar casos de violência contra a mulher
Mulheres vítimas de violência ou qualquer pessoa que tenha conhecimento de agressões podem procurar ajuda e denunciar os casos. Em situações de emergência, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar pelo telefone 190. Já o Disque 180 funciona em todo o país e recebe denúncias de forma gratuita e sigilosa.
Além disso, a Polícia Civil de Santa Catarina disponibiliza o telefone 181 e o WhatsApp (48) 98844-0083 para recebimento de denúncias. As vítimas também podem registrar boletim de ocorrência pela Delegacia Virtual ou buscar atendimento em qualquer delegacia, hospital ou unidade de saúde.
Outra importante ferramenta de proteção são as medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha. A mulher não precisa esperar uma agressão física para solicitar ajuda. A Justiça pode determinar o afastamento do agressor, proibir contatos e garantir uma série de medidas para preservar a integridade e a segurança da vítima.

