
A Polícia Militar conseguiu impedir nesta terça-feira (12) a execução sumária de um dos principais líderes do tráfico de drogas em Florianópolis. Dois homens foram presos e um adolescente apreendido no final da tarde, na Avenida Beira-Mar Norte. Eles estavam num Fiat Linea com um fuzil, uma pistola e um galão de gasolina. De acordo com o que os policiais apuraram, eles seguiam para cumprir a missão de assassinar Danilo de Souza, de 39 anos, irmão de Sérgio de Souza, o Nenêm da Costeira.
O trio agia sob o comando do PGC – Primeiro Grupo Catarinense, facção do crime organizado com raízes em Santa Catarina, e que no estado rivaliza com o PCC de São Paulo. Danilo cumpria pena no Presídio de Florianópolis, mas nesta terça-feira recebeu um benefício de saída.
Danilo, assim como seu irmão Nenêm, foram jurados de morte pelo comando do PGC já há alguns anos, desde que Nenê trocou de lado, deixou a facção catarinense para trás e se uniu ao PGC. Seu ingresso, de acordo com o que a Polícia Civil apurou na época, ocorreu no período em que Nenêm foi transferido para um presídio Federal de Segurança Máxima, em Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Guerra entre PGC e PCC
A guerra entre PCC e PGC pelo controle dos pontos de droga em Florianópolis teve seu auge em 2017, quando mais de 60 pessoas foram assassinadas, a maioria em confrontos entre traficantes rivais. Atualmente, o PCC comanda o Morro da Costeira, reduto histórico de Nenêm e Danilo, e também a região do Papaquara, em Canasvieiras.
As duas prisões e a apreensão do adolescente nesta terça contaram com o trabalho de equipes do Batalhão de Operações Especiais da PM (Bope). Segundo os agentes, o plano do trio era matar Danilo e em seguida incendiar o Fiat usado por eles, para dificultar o trabalho policial e eliminar provas.
Os dois presos foram encaminhados para a Central de Plantão Policial. O adolescente, de 16 anos, foi para a Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCami).
Neném da Costeira segue preso
Neném da Costeira chegou a ser apontado no início dos anos 2000 como um dos maiores traficantes do Sul do Brasil. Em 2002, reso na carceragem da Polícia Civil no bairro Estreito, foi resgatado por criminosos disfarçados de entregadores de pizza. Neném só voltou para a prisão seis anos depois, foi preso no Paraguai, junto com seu irmão Danilo, quando os dois faziam compras num supermercado na cidade de Encarnación. Na época, a Polícia afirmou que Neném fornecia armas para traficantes e teria sido responsável pela morte de cerca de 50 jovens em Florianópolis.
Em outubro de 2016, outro irmão de Nenêm da Costeira foi morto por traficantes rivais. Valdeci de Souza, o Nino, foi morto a tiros num posto de combustíveis na Costeira do Pirajubaé. Três anos depois, um dos suspeitos, Alexandre Campos, foi condenado a 16 anos de prisão. Ele confessou o crime.
Nenêm da Costeira segue cumprindo pena em regime fechado numa unidade de Segurança Máxima em Santa Catarina. Em 2024, o então vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça, Og Fernandes, rejeitou um habeas corpus que pedia regime aberto para Neném;

