
A Polícia Federal abriu uma nova investigação para apurar se as festas promovidas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro envolviam um esquema organizado de exploração sexual. A apuração ganhou força após a defesa do empresário entregar uma proposta de delação premiada nesta terça-feira (5).
Segundo os investigadores, o foco agora é identificar as mulheres que participavam dos eventos, incluindo estrangeiras. Internamente, a PF trata essas mulheres como possíveis vítimas de um esquema criminoso.
PF tenta identificar participantes das festas
Além disso, a Polícia Federal busca esclarecer se existia uma estrutura organizada para levar mulheres aos encontros promovidos por Vorcaro. Caso a suspeita se confirme, a corporação poderá abrir uma investigação independente da apuração sobre supostas fraudes bancárias.
Até a publicação da reportagem original, a defesa de Vorcaro ainda não havia se manifestado sobre o caso.
Conforme informações divulgadas pelo portal InfoMoney, mensagens analisadas pela PF indicam que as festas também funcionavam como espaço de aproximação entre empresários e autoridades públicas.
Eventos em Trancoso já estavam sob investigação
As festas realizadas em Trancoso já haviam despertado atenção de órgãos de fiscalização anteriormente. Em fevereiro, o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União pediu a abertura de uma investigação para identificar a presença de agentes públicos nos eventos e verificar o possível uso de recursos públicos em viagens e participações.
De acordo com o subprocurador-geral Lucas Furtado, os encontros tinham forte controle de acesso. Entre as medidas adotadas estavam a proibição do uso de celulares, instalação de detectores de metais, monitoramento por câmeras e controle restrito de convidados.
Ainda segundo a representação enviada ao TCU, os eventos conhecidos como “Cine Trancoso” reuniam integrantes dos Três Poderes, além de empresários, políticos e integrantes do meio jurídico.
Mensagens reforçam suspeitas da PF
Entre os materiais analisados pela investigação, a PF encontrou mensagens da proprietária de uma casa alugada por Vorcaro em Trancoso. Nas conversas, ela relata incômodo com a dinâmica do imóvel durante uma das festas.
Em outra frente da investigação, os agentes também analisam conversas entre Vorcaro e sua então noiva, Martha Graeff. Em uma troca de mensagens de agosto de 2025, o ex-banqueiro afirmou que a presença de prostitutas fazia parte de seu “business” e disse ter promovido festas com centenas delas.
Para a Polícia Federal, os elementos reunidos até agora indicam que as mulheres presentes nas festas podem ter sido vítimas de um esquema criminoso.

