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PF mira banco ligado a Edir Macedo por fraude bilionária

Investigação aponta manipulação de balanços e bloqueio de R$ 670 milhões

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PF mira banco ligado a Edir Macedo por fraude bilionária
Foto: Divulgação - Reprodução / Redes Sociais

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta terça-feira (23), a Operação Miragem para desarticular um suposto esquema de fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional envolvendo a gestão do Banco Digimais, instituição financeira controlada pelo grupo do bispo Edir Macedo. O líder religioso da Igreja Universal do Reino de Deus também é dono do Grupo Record de comunicação.

Além disso, a ação ocorre em meio a uma série de crises financeiras e disputas judiciais que já atingiam o banco nos últimos anos.

Mais de 50 policiais federais cumprem nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal em São Paulo. Ao mesmo tempo, a decisão judicial autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados e determinou o bloqueio de bens que pode chegar a R$ 670,3 milhões.

O que a Operação Miragem investiga

Segundo a PF, relatórios do Banco Central identificaram graves irregularidades na condução dos negócios do Digimais. Conforme as investigações, administradores da instituição teriam manipulado balanços e resultados contábeis para esconder a real situação financeira do banco e transmitir uma falsa imagem de solvência aos órgãos reguladores.

Além disso, os investigadores suspeitam que o grupo tenha supervalorizado ativos e criado receitas artificiais que somam centenas de milhões de reais. A Polícia Federal também apura operações financeiras supostamente ilegais em benefício da empresa controladora. Além disso, analisa a inserção de informações falsas em sistemas oficiais do Banco Central.

Banco já enfrentava dificuldades

Entretanto, os problemas do Digimais começaram antes da operação policial. Relatórios financeiros de 2024 e 2025 já apontavam crescimento da inadimplência e deterioração patrimonial. Por causa desse cenário, o banco precisou receber aportes do próprio Edir Macedo para evitar uma quebra técnica.

Além disso, a instituição passou por processos de reestruturação supervisionados pelo Banco Central e chegou a negociar sua venda. O empresário Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master, anunciou uma possível aquisição em 2025, porém o negócio não foi concluído.

Disputa judicial agravou cenário

No início deste ano, o empresário Roberto Campos Marinho Filho, sócio do Digimais e proprietário da Yards Capital, acionou a Justiça alegando prejuízo próximo de R$ 500 milhões.

A controvérsia envolveu ativos ligados ao Banco Master, à Reag e à Fictor, empresas que também enfrentaram investigações e crises financeiras. Após a forte desvalorização desses papéis, a Yards Capital exigiu que o Digimais recomprasse a carteira avaliada em R$ 462,2 milhões.

Crimes investigados

Os envolvidos poderão responder por gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito proibidas pela Lei nº 7.492, que trata dos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

Enquanto a investigação avança, a Operação Miragem coloca novamente o sistema bancário sob os holofotes e amplia a pressão sobre uma instituição que já enfrentava dificuldades financeiras antes da ação da Polícia Federal.

Murilo José

Sobre o autor

Murilo José

Jornalista do Guararema News, atua na região do médio Vale do Itajaí e Litoral Norte. Suas pautas geralmente são direcionadas a assuntos factuais que tem impacto no dia a dia da comunidade. Murilo também atua com reportagens especiais em projetos autorais. Além disso, também contribui com conteúdo esportivo.

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