Região Blumenau

MPSC pede interdição de presídio com 173% de superlotação

Promotoria cobra a construção de 384 vagas prometidas há mais de três anos

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MPSC pede interdição de presídio com 173% de superlotação
Foto: Divulgação / Sejuri

A situação da superlotação no sistema carcerário de Rio do Sul atingiu um ponto de colapso, levando o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) a agir. A promotora de justiça Rafaela Denise da Silveira Beal protocolou nesta segunda-feira (20) um pedido de interdição parcial do Presídio Regional.

Pedido do MPSC

Além disso, ela exige o cumprimento imediato de um acordo judicial que prevê a ampliação de vagas na região. A promotora não hesita em classificar o cenário atual como uma “violação à dignidade humana” e um “risco iminente à segurança pública”.

Segundo ela, já não se trata apenas de estrutura precária, mas sim de um “estado de coisas inconstitucional” que é incompatível com a execução penal e a integridade dos detentos.

Omissão agrava problema

O órgão destaca que a crise se aprofundou após a interdição parcial do Presídio Regional de Blumenau, em 2020. Na ocasião, o Estado firmou um acordo judicial comprometendo-se a ampliar o número de vagas prisionais em todo o Alto e Médio Vale do Itajaí.

Especificamente para Rio do Sul, o pacto estabelecia duas obrigações cruciais, as quais deveriam estar concluídas até abril de 2022:

  • A construção de uma nova unidade para o regime semiaberto, criando 192 vagas.
  • A ampliação do Presídio Regional existente, disponibilizando mais 192 vagas.

Juntas, as obras prometiam 384 novas acomodações. No entanto, o MPSC informa que, passados mais de três anos do prazo final, o Estado executou apenas uma reforma parcial no antigo CASEP, resultando na criação de pouco mais de 50 vagas.

Ocupação ultrapassa 200%

Uma vistoria recente, realizada neste mês, comprovou a gravidade da superlotação. A unidade, que possui capacidade real para apenas 278 detentos (225 na estrutura principal e 53 no antigo CASEP), abriga atualmente 440 presos.

Dessa forma, a ocupação total está muito acima do limite. A ala central, por exemplo, alcançou um índice alarmante de 173,78% acima de sua capacidade projetada.

Cenário de colapso

Diante da omissão reiterada do Estado e do cenário de colapso, o MPSC ajuizou um pedido de cumprimento da decisão homologatória do acordo judicial. Além disso, busca responsabilizar o governo pelo atraso e pela não execução das obras.

Paralelamente, a promotoria requereu a interdição parcial do presídio para impedir a entrada de novos detentos até que a capacidade mínima instalada seja adequada.

“O próprio Estado propôs os prazos e garantiu que possuía meios para cumpri-los,” reforça a Promotora Rafaela Beal. Ela conclui: “A omissão reiterada não pode mais ser tolerada, sobretudo quando impacta diretamente a dignidade de quem cumpre pena e a segurança de toda a comunidade.”


Natiele Oliveira

Sobre o autor

Natiele Oliveira

A jornalista confirma a presença do Guararema News na cidade de Blumenau, com uma ampla cobertura de tudo o que acontece na região do Vale do Itajaí, uma das mais importantes de Santa Catarina. Atua também em coberturas nacionais, sempre ligada em notícias que possam fazer a diferença na vida dos leitores, como serviços, empregos, concursos e etc...

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