
Um réu acusado de participação nos atos golpistas de 8 de janeiro conseguiu deixar o alcance da Justiça brasileira ao obter, de forma irregular, um novo passaporte e viajar para a Espanha. A fuga ocorreu apesar de ordem judicial que proibia a emissão do documento e da existência de mandado de prisão em aberto. O caso veio a público nesta semana e expôs falhas na comunicação entre órgãos federais.
Documento foi emitido mesmo com proibição judicial
Apolo Carvalho da Silva, de 28 anos, respondia por crimes como incitação e associação criminosa. Ainda assim, ele solicitou um novo passaporte no Consulado do Brasil no México. No entanto, havia determinação expressa da Justiça para impedir qualquer emissão em seu nome. Mesmo assim, o sistema consular não registrou o impedimento no momento do pedido. Como resultado, o documento foi liberado.
Além disso, o réu já havia tido o passaporte anterior apreendido e estava oficialmente proibido de deixar o país. Ainda assim, conseguiu regularizar a documentação fora do Brasil, o que abriu caminho para a fuga.
Rota internacional até a Europa
Antes de chegar à Espanha, Apolo deixou o Brasil em 2024, após romper a tornozeleira eletrônica. Em seguida, passou por Argentina, Peru e Colômbia. Depois disso, fixou-se temporariamente no México, onde solicitou o novo passaporte brasileiro.
Com o documento em mãos, embarcou para a Espanha no fim de 2025. Logo após a chegada, apresentou pedido de proteção internacional, alegando perseguição política. A primeira audiência sobre esse pedido está marcada para abril, em Madri.
Autoridades reconhecem falha
O Ministério das Relações Exteriores confirmou que houve concessão indevida do passaporte. Segundo a pasta, os procedimentos internos estão em revisão para evitar novos casos semelhantes. A Polícia Federal não detalhou medidas adotadas até o momento, mas acompanha a situação.
Enquanto isso, especialistas em segurança pública e direito internacional apontam que o episódio revela fragilidade na integração entre sistemas judiciais e consulares. Além disso, destacam que a falta de comunicação entre os bancos de dados facilita a circulação de foragidos no exterior.
Impacto para investigações do 8 de janeiro
A fuga reforça os desafios enfrentados pelas autoridades brasileiras para localizar e trazer de volta investigados que deixam o país. Ao mesmo tempo, o caso pressiona o governo a acelerar acordos de cooperação internacional e a modernizar os controles sobre emissão de documentos fora do território nacional.
Por fim, o episódio amplia o debate sobre responsabilidade administrativa e controle de informações judiciais no exterior. A apuração segue em curso, e novas medidas podem ser anunciadas para corrigir as falhas reveladas.

