
O empresário de Brusque Alex Lima da Fonseca, preso pela Polícia Federal durante a Operação Narco Fluxo, já acumulava duas condenações por fraude envolvendo investimentos em criptomoedas. Esse histórico reforça as suspeitas que agora o colocam no centro de uma investigação nacional ligada à lavagem de dinheiro do tráfico internacional.
De acordo com sentença judicial de 2021, Fonseca recebeu, em julho de 2019, o equivalente a quatro mil dólares de um cliente, prometendo retorno mensal de 5% e resgate a qualquer momento. No entanto, quando o investidor solicitou a devolução, em dezembro de 2020, não recebeu qualquer resposta. Além disso, o empresário não devolveu o valor aplicado.
A defesa sustentou que Fonseca atuava apenas como consultor e indicava empresas para investimento. Mesmo assim, a Justiça identificou que ele recebeu diretamente o dinheiro e não comprovou o repasse à suposta plataforma. Como consequência, o Judiciário determinou a devolução de mais de R$ 27,6 mil, já com correção, além de indenização por danos morais. O processo segue em fase de execução.
Além dessa decisão, uma nova condenação ocorreu em 2023, o que ampliou o histórico judicial do empresário no setor de criptoativos. Dessa forma, esse passado agora ganha ainda mais relevância diante da nova investigação, que aponta possível envolvimento em operações financeiras de grande porte.
Operação Narco Fluxo revela engrenagem milionária
A Polícia Federal prendeu Alex Lima da Fonseca em Brusque durante a deflagração da Operação Narco Fluxo, na última quarta-feira (15). A ação mobilizou mais de 200 agentes e cumpriu cerca de 90 mandados judiciais em diferentes estados.
Segundo os investigadores, o grupo estruturou um esquema de lavagem de dinheiro para o tráfico internacional de drogas. Para isso, utilizava movimentações financeiras de alto valor, transporte de dinheiro em espécie e transações com criptomoedas — área em que Fonseca atuava por meio da empresa B2B Capital.
Além disso, a operação ganhou repercussão nacional ao atingir nomes conhecidos, como os funkeiros MC Poze do Rodo e MC Ryan, além do responsável pela página Choquei, Raphael Sousa Oliveira, e do influenciador Chrys Dias. As prisões ocorreram em diferentes estados, o que evidencia a dimensão da organização investigada.
De acordo com a Polícia Federal, o esquema movimentou mais de R$ 1,6 bilhão, com atuação no Brasil e no exterior. Durante as diligências, os agentes apreenderam dinheiro em espécie e itens de luxo, como relógios, veículos importados e bolsas de alto valor.

