
Nesta sexta-feira (13), o delegado Anselmo Cruz, da Polícia Civil de Santa Catarina, afirmou em entrevista ao portal Guararema News que a investigação apontou fortes indícios de que o assassinato da corretora de imóveis Luciani Aparecida Estivalet Freitas, de 47 anos, foi planejado e teve motivação financeira. O caso começou a ser apurado após a família registrar o desaparecimento da vítima em Florianópolis. A partir daí, a polícia iniciou diligências, identificou suspeitos, localizou o corpo em Major Gercino e reuniu provas que indicam a participação dos envolvidos no crime.
Compras online aceleraram a investigação
Assim que a família comunicou o desaparecimento, a Polícia Civil iniciou diligências para entender o que havia acontecido com a corretora. Logo nos primeiros levantamentos, os investigadores identificaram um fato que mudou o rumo da investigação.
Diversas compras estavam sendo feitas pela internet usando os dados da vítima.
Segundo o delegado Anselmo Cruz, esse foi o primeiro sinal de que algo grave havia acontecido.
“Logo foi detectado que estavam sendo feitas muitas compras online usando os dados da vítima. Esse já foi um ponto de destaque que desencadeou o avanço das investigações”, afirmou.
A partir disso, os policiais passaram a rastrear as entregas. Parte das mercadorias era enviada para uma pousada. Ao mesmo tempo, outros produtos eram direcionados para pontos de retirada em diferentes bairros da região norte da Ilha de Santa Catarina.
Com isso, a investigação começou a ganhar forma.
Adolescente levou polícia a suspeitos
Enquanto os investigadores acompanhavam as entregas, a polícia identificou um adolescente de 14 anos retirando produtos comprados com os dados da vítima.
Esse detalhe abriu uma nova frente de investigação. Logo depois, os policiais descobriram que o jovem tinha ligação com um homem de 27 anos que possuía mandado de prisão em aberto por latrocínio no estado de São Paulo.

Além disso, os investigadores encontraram um detalhe ainda mais relevante. Os dois moravam muito próximos da vítima.
“Tanto o adolescente quanto esse homem eram vizinhos de porta da vítima, em um apartamento a poucos metros de distância”, explicou o delegado.
Diante disso, a Polícia Civil intensificou as diligências e aprofundou as apurações sobre a movimentação dos suspeitos.
Administradora de pousada ajudou a ocultar objetos
Com o avanço das investigações, os policiais identificaram também a participação da administradora da pousada onde parte das compras era entregue.
Segundo o delegado, ela ajudou a esconder produtos adquiridos com os dados da vítima e também ocultou pertences pessoais da corretora.
“Ela estava ocultando compras feitas com os dados da vítima e também pertences pessoais, como notebook e televisão, em outro apartamento trancado”, afirmou Anselmo Cruz.
Além disso, a polícia afirma que a mulher tentou esconder essas informações durante as diligências. Esse comportamento reforçou a suspeita de participação no crime.
Investigação aponta crime planejado
Com base nas informações reunidas até agora, a Polícia Civil afirma que o crime foi planejado. Os investigadores acreditam que os suspeitos agiram de forma premeditada e buscaram obter vantagens financeiras usando os dados da vítima.
Segundo o delegado, os envolvidos teriam acreditado que o desaparecimento demoraria a ser percebido.
“O que estamos esclarecendo é que foi algo planejado. Possivelmente os autores pensaram que ninguém fosse sentir falta rapidamente”, afirmou.
No entanto, a rápida reação da família mudou o rumo da investigação.
“Com o auxílio da família e com as informações prestadas à Polícia Civil, em menos de 72 horas conseguimos esclarecer o fato e responsabilizar os autores”, disse o delegado.
Três pessoas estão presas
Até agora, a Polícia Civil prendeu três pessoas suspeitas de participação no crime. Entre elas estão a administradora da pousada e um casal que morava próximo da vítima.
Mesmo assim, a investigação ainda continua.
Segundo o delegado, os investigadores agora trabalham para reunir todos os elementos do caso e consolidar as provas.
“Nosso inquérito é um grande quebra-cabeça. Ainda temos perícias, depoimentos e outras informações para deixar tudo absolutamente esclarecido”, afirmou.

Motivação foi financeira
De acordo com a Polícia Civil, a principal motivação do crime foi financeira. Os investigadores identificaram dezenas de compras feitas pela internet utilizando os dados da vítima.
Apesar disso, os suspeitos não confessaram participação.
“Eles não admitiram o crime. São pessoas extremamente dissimuladas e a investigação indica que buscavam vantagens financeiras”, afirmou o delegado.
Enquanto isso, a Polícia Científica segue realizando exames complementares. Esses laudos devem ajudar a esclarecer as circunstâncias da morte e os detalhes sobre o local onde o corpo foi encontrado em Major Gercino.
Com a continuidade das perícias e dos depoimentos, a Polícia Civil pretende fechar todas as lacunas da investigação e consolidar a responsabilização dos envolvidos.
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