
A influenciadora digital Débora Sanchez denunciou à polícia um caso de deepfake após criminosos usarem inteligência artificial para transformar uma foto de biquíni em uma montagem pornográfica. As imagens adulteradas foram publicadas em um site adulto. Em entrevista ao Fantástico, exibida no domingo (3), ela relatou o impacto emocional da situação e afirmou que decidiu denunciar o crime.
Segundo Débora, os responsáveis utilizaram fotografias publicadas em suas redes sociais e inseriram partes íntimas de outra pessoa para criar imagens falsas.
Influenciadora relata sentimento de culpa
Ao descobrir a fraude, Débora reuniu provas, registrou capturas de tela e procurou uma delegacia para denunciar o caso.
Além disso, ela revelou que, em um primeiro momento, chegou a se sentir culpada por ter publicado uma foto de biquíni nas redes sociais.
“Eu cheguei, infelizmente, a pensar: será que a culpa é minha? Eu postei uma foto de biquíni”, afirmou.
Depois, no entanto, a influenciadora concluiu que não havia feito nada de errado e decidiu tornar o caso público para incentivar outras vítimas a denunciarem esse tipo de crime.
Apoio da família ajudou a enfrentar o caso
Débora contou que o apoio da família foi fundamental para enfrentar o episódio.
Segundo ela, o marido e os familiares nunca a responsabilizaram pelo ocorrido, o que ajudou a reduzir o impacto emocional provocado pela exposição.
“A minha família ter me acolhido, meu esposo ter me acolhido, em nenhum momento ter pensado que a culpa era minha, foi o que mais me deu força”, disse.
Apesar da violência sofrida, ela afirmou que conseguiu separar a montagem da própria imagem.
“Eu não me abalei porque não era eu, não era o meu corpo”, declarou.
Especialistas alertam para crescimento dos deepfakes
Especialistas afirmam que casos como o de Débora representam apenas uma pequena parte do problema.
Segundo Mariana Valente, diretora e professora do InternetLab, os episódios conhecidos são apenas “a ponta do iceberg”. Ela explica que a maioria dos deepfakes produzidos atualmente tem conteúdo sexual e atinge mulheres.
Além disso, um levantamento do NetLab, da UFRJ, identificou um mercado estruturado em torno desse tipo de material. Durante o monitoramento, pesquisadores encontraram 198 anúncios com imagens falsas da atriz Paolla Oliveira circulando nas plataformas da Meta.
Para a diretora do laboratório, Marie Santini, esse tipo de conteúdo é distribuído de forma recorrente nas redes sociais, o que amplia o alcance das montagens e aumenta os danos às vítimas.
Diante do avanço da inteligência artificial, especialistas reforçam a importância da denúncia e da responsabilização dos autores para combater a disseminação de deepfakes e proteger vítimas de violência digital.

