
O Ministério Público de São Paulo denunciou o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto pelo assassinato da esposa, a policial militar Gisele Alves Santana. Segundo a investigação, o crime, que integra o Caso PM Gisele, ocorreu após a vítima manifestar o desejo de se divorciar.
Além disso, mensagens extraídas do celular do oficial revelam um comportamento abusivo, controlador e manipulador. De acordo com os investigadores, Geraldo exigia relações sexuais como forma de “pagamento” por arcar com despesas da casa.
Mensagens expõem relação abusiva
Nas conversas, o tenente-coronel detalha gastos com aluguel, condomínio e contas domésticas para justificar cobranças à esposa. Em uma das mensagens, ele afirma que investia financeiramente e, em troca, exigia “amor, carinho, atenção, dedicação e sexo”.
Dessa forma, a denúncia descreve uma dinâmica opressiva dentro do relacionamento, marcada por pressão psicológica e controle.
‘Macho alfa’ e regras de submissão
Além das cobranças, o oficial impôs um modelo de relacionamento baseado na submissão total. Ele se autodeclarava “Rei” e “macho alfa provedor”, enquanto classificava a esposa como “fêmea beta obediente”.
Segundo a investigação, Geraldo também restringia comportamentos da vítima. Ele proibia, por exemplo, que ela cumprimentasse outros homens com beijo no rosto e que usasse roupas consideradas inadequadas. Em uma das mensagens, afirmou que “lugar de mulher é em casa cuidando do marido”.
Recusa da vítima antecede o crime
Dias antes de morrer, Gisele deixou claro que não aceitava mais as condições impostas pelo marido. Em mensagem enviada em 2 de fevereiro, ela afirmou que não trocaria sexo por moradia e defendeu a separação.
Com isso, a investigação aponta que a recusa da vítima em manter o relacionamento motivou o feminicídio.
Justiça analisa o caso
Diante da gravidade, a Promotoria solicitou a condenação do oficial e o pagamento de indenização mínima de R$ 100 mil à família da vítima. O caso se enquadra na Lei 14.994, que trata o feminicídio como crime autônomo e prevê penas de até 40 anos de prisão.
Defesa alega colaboração
Por outro lado, a defesa do tenente-coronel afirmou estar “estarrecida” com a condução do caso nas esferas da Justiça Militar e comum. Os advogados também destacaram que o oficial apresentou comprovante de endereço e colabora com as investigações.
Além disso, a defesa argumenta que mensagens pessoais estão sendo divulgadas fora de contexto e afirma que contestará as interpretações durante o processo.
O tenente-coronel foi preso na quarta-feira (18), e o caso segue em investigação.

