
A Polícia Civil de São Paulo investiga se a relação sexual mencionada pelo tenente-coronel Geraldo Rosa Neto com a esposa, a soldado da PM Gisele Santana, ocorreu de forma consensual na véspera da morte dela. O oficial responde como réu por feminicídio.
Investigação analisa vestígios
A polícia encontrou espermatozoides no canal vaginal da vítima durante perícia. Inicialmente, o tenente-coronel afirmou que o casal dormia em quartos separados há meses e não mantinha mais relação conjugal. No entanto, posteriormente, ele mudou a versão e declarou que os dois tiveram relação sexual no dia 17 de fevereiro, um dia antes da morte.
Diante disso, o delegado responsável pelo caso afirmou que a investigação precisa analisar se houve consentimento, com base nos vestígios coletados.
Laudos contradizem versão do suspeito
O tenente-coronel nega o crime e sustenta que a esposa cometeu suicídio. Porém, laudos periciais contestam essa versão. Segundo os documentos, alguém imobilizou a vítima por trás e efetuou o disparo, além de movimentar o corpo e posicionar a arma na mão dela.
Além disso, a investigação aponta que o suspeito demorou a acionar o socorro, possivelmente para tentar apagar vestígios.
Perícia busca confirmação por DNA
A perícia coletou material genético para confronto de DNA. Até o momento, no entanto, os resultados ainda não foram concluídos. Mesmo assim, o delegado considera essa análise central para o andamento do caso.
Enquanto isso, a defesa afirma que o militar apenas complementou o depoimento ao mencionar a relação íntima e sustenta que não há contradição na versão apresentada.
Histórico de denúncias contra o oficial
Paralelamente, o Ministério Público aponta que o tenente-coronel já teria praticado assédio sexual e moral contra policiais mulheres. Segundo a denúncia, ele utilizava sua posição hierárquica para pressionar subordinadas.
Além disso, após a morte de Gisele, uma policial denunciou o oficial por assédio. Em depoimento, ela relatou que ele tentou beijá-la e a transferiu de batalhão como forma de retaliação.
Em outro caso, a Justiça condenou o Estado de São Paulo a indenizar uma policial militar por assédio moral praticado pelo oficial. A decisão reconheceu que ele abusou da autoridade e perseguiu profissionalmente a subordinada.
Canais de denúncia
Em casos de violência, as vítimas podem buscar ajuda por meio da Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180, que funciona 24 horas por dia. Também é possível registrar denúncias pelo Disque 100 ou por canais oficiais de direitos humanos.
Por fim, a legislação brasileira prevê medidas protetivas de urgência para garantir a segurança das vítimas.

