
Um cachorro resgatado com a genitália presa por um lacre plástico em Jaraguá do Sul, região Norte de Santa Catarina, virou símbolo de um dos casos mais graves de maus-tratos a animais registrados recentemente no Estado. O animal corre o risco de perder o órgão por causa da gravidade dos ferimentos.
A denúncia foi feita pelo biólogo Christian RabochLempek, da Fundação Jaraguaense de Meio Ambiente (Fujama). Ele usou as redes sociais para contar o caso e pedir ajuda da população na identificação dos responsáveis.
Acostumado a atender ocorrências envolvendo animais silvestres e situações de maus-tratos, o profissional afirmou que nunca havia presenciado algo parecido.
“Vocês sabem que volta e meia acabo pegando algum animal que sofreu maus-tratos. Já foi sapinho com a boca colada, sapo sem olhos, mas dessa vez não é um animal silvestre, é um cachorro. E o que fizeram com ele é revoltante”, afirmou.
Cachorro tinha sinais de sofrimento
Segundo o biólogo, o animal vivia em uma comunidade de Jaraguá do Sul e começou a apresentar sinais de sofrimento intenso. Moradores perceberam que ele estava debilitado e com a genitália exposta e chamaram uma clínica veterinária credenciada pela Fujama para fazer o resgate.
Durante o atendimento, os profissionais constataram que alguém colocou um lacre plástico na genitália do cão, o que impedia o funcionamento normal do órgão.
“Alguém colocou um lacre na genitália do animal. Ele provavelmente não estava conseguindo urinar. A gente não sabe há quantos dias ele estava assim, nem quem fez isso. Mas, com certeza, foram uma ou mais pessoas para segurar o cachorro e cometer essa crueldade”, relatou.
De acordo com o biólogo, a gravidade da lesão pode resultar na amputação do órgão.
‘A humanidade está doente’
Em vídeo publicado nas redes sociais, Christian demonstrou indignação diante do caso e fez um apelo por denúncias. “Se alguém tiver qualquer informação, imagens de câmeras de segurança, denuncie. A pessoa que faz isso é doente, é cruel. A gente não pode normalizar esse tipo de coisa”, acrescentou.
Ele afirmou que decidiu tornar o caso público para conscientizar a população e tentar evitar novos episódios de violência contra animais. “A humanidade está doente. A que nível de maldade a gente chegou? E muitas vezes a gente pensa que isso acontece em cidade grande, longe, mas não. Foi aqui, em Jaraguá do Sul”, disse.
Crime previsto em lei
A lei brasileira considera crime os maus-tratos contra animais. A legislação prevê prisão e multa para quem pratica atos de abuso, ferimento ou mutilação contra eles. Enquanto o cachorro segue sob cuidados veterinários, as autoridades esperam identificar os responsáveis.
A Fujama orienta que informações sobre o caso sejam repassadas aos órgãos responsáveis. Em situações de flagrante ou emergência, a Polícia Militar também pode ser acionada.

