
Uma brasileira de 29 anos foi presa pelo ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos) após sofrer um aborto espontâneo e passar por uma crise emocional relacionada à perda da gestação. Iara do Carmo Santana ficou três noites detida e afirma que não recebeu os medicamentos indicados após o procedimento. O caso aconteceu em setembro, nos Estados Unidos, depois que o marido dela, Gabriel Lemos, chamou o serviço de emergência para pedir ajuda.
ICE prende brasileira após chamado de emergência
No dia 3 de setembro, Gabriel ligou para o serviço de emergência porque Iara passava por um período de desestabilização emocional após perder a gestação.
No entanto, em vez de uma ambulância, agentes do ICE chegaram à residência do casal. Segundo relato divulgado pela Folha de S.Paulo, os policiais prenderam Iara sob suspeita de ter agredido o marido.
O casal nega a acusação. Além disso, Gabriel afirma que pediu ajuda para a esposa e não a prisão.
Inicialmente, a polícia de Malden manteve Iara detida por cerca de seis horas. Depois, os agentes entregaram a brasileira ao ICE.
Brasileira afirma que ficou sem medicamentos
Iara estava grávida de seis semanas e três dias quando descobriu que o feto havia parado de apresentar batimentos cardíacos. Em seguida, ela passou por um procedimento para retirar o conteúdo do útero e precisava continuar o tratamento com medicamentos.
Após a detenção, porém, a brasileira afirma que deixou de receber os remédios.
Além disso, Iara relatou ter dormido no chão durante as três noites em que permaneceu detida. Segundo ela, o período também provocou uma infecção que dificultou seus movimentos.
“Lá dentro você não sabe se é dia ou noite, não tem como contar as horas, e eu precisava tomar o medicamento certinho, mas eles não me davam”, disse Iara à Folha.
Justiça determina libertação de Iara
O caso chegou à Justiça federal dos Estados Unidos. Então, em 8 de setembro, o juiz Leo T. Sorokin determinou a libertação de Iara e proibiu que ela fosse deportada do país.
Agora, a brasileira responde em liberdade à acusação de agressão contra o marido.
O advogado de Iara, Todd Pomerleau, também contestou a versão de que Gabriel teria pedido a prisão da mulher. Segundo ele, o marido buscava atendimento para ajudá-la.
Brasileira vive nos EUA desde 2021
Iara entrou nos Estados Unidos de forma irregular em 2021. Apesar disso, ela possui autorização para trabalhar e aguarda uma audiência relacionada ao pedido de asilo, marcada para 2029.
Gabriel vive no país há 11 anos e possui Green Card. O casal também tem um filho de seis anos, que mora com os dois nos Estados Unidos.
Antes do episódio, Iara afirma que não tinha medo de uma possível deportação, mesmo diante do endurecimento das políticas de imigração durante o governo de Donald Trump. Depois da prisão, porém, ela relata que passou a ficar preocupada com a permanência da família no país.

