
Um atleta de 15 anos foi apreendido pela Guarda Municipal de Balneário Camboriú na tarde deste domingo (25), após ser acusado de racismo durante uma partida do Campeonato Sul-Americano de Futebol Amador Sub-17. A ocorrência aconteceu por volta das 16h30 no estádio localizado na Rua Libéria, no bairro das Nações.
De acordo com o boletim de ocorrência, a vítima relatou que a ofensa ocorreu durante uma disputa de bola. Na ocasião, o jogador, de nacionalidade paraguaia, chamou o adversário de “macaco”. Ao pedir que o atleta repetisse o que havia dito, a vítima ouviu novamente a mesma expressão de cunho racista, desta vez em tom mais alto, o que gerou imediata revolta entre os presentes.
Torcedores, atletas e integrantes das comissões técnicas reagiram diante da ofensa, interrompendo momentaneamente a partida. Diante da situação, o responsável legal pelo adolescente suspeito retirou o jovem do estádio e o levou para um alojamento no bairro Ariribá. A Guarda Municipal se deslocou até o local indicado, mas não encontrou o atleta.
Durante as buscas, os agentes localizaram o adolescente na Avenida Martin Luther, acompanhado da mãe. A guarnição conduziu o jogador, a vítima e seus respectivos responsáveis à Delegacia de Polícia, onde os policiais civis registraram a ocorrência e adotaram os procedimentos legais cabíveis. O caso segue sob investigação.
O crime de racismo no Brasil e o contexto esportivo
No Brasil, a legislação classifica o racismo como crime inafiançável e imprescritível, conforme prevê a Constituição Federal. A lei estabelece penas que variam de dois a cinco anos de reclusão, além de multa, dependendo das circunstâncias. A injúria racial ocorre quando a ofensa atinge diretamente uma pessoa, com base em raça, cor, etnia, religião ou origem, e está tipificada no Código Penal.
Casos registrados em ambientes esportivos seguem os mesmos trâmites legais aplicados a qualquer outro espaço público. Autoridades policiais realizam a apuração, registram a ocorrência e encaminham os fatos ao Judiciário, independentemente da idade ou nacionalidade dos envolvidos.
Caso semelhante em torneio de tênis em Itajaí
Um episódio semelhante ocorreu na última quinta-feira (22) durante o Itajaí Open de Tênis, realizado no Clube Itamirim, em Itajaí. A polícia deteve dois atletas estrangeiros, um venezuelano e um colombiano, após eles praticarem atos de injúria racial durante uma partida da competição internacional.
Segundo a Polícia Militar, um dos tenistas realizou gestos imitando um macaco em direção à torcida, enquanto o outro dirigiu ofensas racistas a um funcionário do clube após o término do jogo. A Justiça realizou a audiência de custódia e liberou ambos os atletas, impondo medidas cautelares como a apreensão dos passaportes e o monitoramento eletrônico. O caso, portanto, também segue em tramitação na Justiça catarinense.

