
Um ato de crueldade que voltou a chocar Santa Catarina ganhou novos desdobramentos nesta sexta-feira (13). A Polícia Militar (PM) divulgou informações atualizadas sobre o caso de maus-tratos e violência extrema contra animais registrado em Itajaí, que terminou com a morte de um cão após agressões sucessivas e o ato infame de jogar o animal de um edifício abandonado.
A PM foi acionada para atender a ocorrência na Rua Theodoro Lino Regis, esquina com a Rua Domingos Braz Sedrez, em um prédio amarelo de esquina que se encontra abandonado.
Ao chegar ao local, a guarnição encontrou um cachorro de porte médio, sem raça definida e de cor preta, caído na calçada, já sem vida. Ao redor do animal, vários moradores acompanhavam a cena e apontavam indignação diante da violência.
Diante da situação, os policiais acionaram imediatamente os órgãos competentes. A Guarda Municipal Ambiental compareceu com uma médica veterinária, que realizou avaliação física preliminar. A profissional constatou uma escoriação na região do queixo, além de sangramento interno na boca, provavelmente decorrente de hemorragia interna. Em seguida, a equipe realizou o recolhimento do corpo do cão e o encaminhou à Central de Plantão Policial.
Violência começou antes da morte do animal
Durante o atendimento, testemunhas indicaram aos policiais a localização dos suspeitos, que residem nas proximidades do local do crime. A Polícia Militar realizou diligências e prendeu em flagrante um homem de 19 anos, natural de Rio Grande (RS). Além disso, apreendeu dois adolescentes — um de 15 anos, natural de Itajaí (SC), e outro de 16 anos, natural de Olinda (PE), identificado como proprietário do cão morto. A polícia, ainda assim, não localizou o quarto suspeito.
Segundo o que foi apurado, os quatro envolvidos estavam momentos antes às margens do Rio Itajaí-Açu, onde já praticavam maus-tratos contra dois cães, entre eles tentativa de afogamento. Conforme os relatos, eles tentaram afogar os animais e desferiram chutes. Na sequência, o grupo deixou o local e seguiu para o prédio abandonado, levando os cães.
Testemunhas ouviram queda e flagraram fuga
Já nas proximidades do prédio, testemunhas relataram ter ouvido o barulho de um corpo caindo do alto da edificação. Ao se aproximarem, encontraram os suspeitos deixando o local. De acordo com os relatos, os envolvidos aparentavam tranquilidade e chegaram a rir da situação.
No entanto, quando uma pessoa informou que acionaria a polícia, os suspeitos fugiram. Uma das testemunhas entrou no prédio e encontrou outro cão, de cor branca, amarrado no interior da construção, o que reforça os indícios de maus-tratos continuados.
Contradições, celulares apreendidos e prisão
Em depoimento à Polícia Militar, os envolvidos negaram a prática de maus-tratos. Ainda assim, confirmaram que estavam na beira do rio e que, posteriormente, subiram ao prédio para tirar uma foto, versão que corrobora os relatos das testemunhas quanto à presença deles no local.
Mesmo sem testemunhas oculares do momento exato do arremesso, a Polícia Militar avaliou os relatos de agressões anteriores, confirmou a presença dos suspeitos no prédio e considerou o barulho da queda, ouvido por moradores, suficiente para caracterizar o crime de maus-tratos.
Considerando a versão apresentada sobre registros fotográficos, os policiais apreenderam o celular de um dos envolvidos e também o aparelho da mãe de um deles. Uma possível imagem dos suspeitos momentos antes do crime foi anexada ao boletim de ocorrência.
Encaminhamento à Justiça
A Polícia Civil lavrou o auto de prisão em flagrante contra o adulto e o encaminhará ao Presídio de Itajaí, no Complexo da Canhanduba, onde ele passará por audiência de custódia.
Para os adolescentes, a autoridade policial lavrou auto de apreensão por ato infracional e representou pela internação em instituição socioeducativa. Os menores permanecem na delegacia, aguardando manifestação da Promotoria da Infância e Juventude.

