
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o registro da primeira versão nacional de caneta emagrecedora – um medicamento à base de semaglutida, substância que ganhou notoriedade nos tratamentos contra obesidade e diabetes tipo 2.
Com a decisão, a farmacêutica EMS poderá comercializar o Ozivy, produto desenvolvido com o mesmo princípio ativo presente nos medicamentos Ozempic e Wegovy.
A aprovação representa um marco para o setor farmacêutico brasileiro. Isso porque a autorização ocorre poucos meses após o fim da exclusividade da patente da multinacional Novo Nordisk no país.
Desde então, empresas do segmento intensificaram a disputa por um espaço em um mercado que movimenta bilhões de reais e registra forte crescimento na demanda por medicamentos para controle de peso.
Registro abre nova fase para a semaglutida no Brasil
De acordo com a Anvisa, o Ozivy recebeu registro na categoria de desenvolvimento abreviado, modalidade destinada a medicamentos baseados em substâncias já conhecidas. Mesmo assim, os fabricantes precisam comprovar padrões rigorosos de qualidade, eficácia e segurança antes da liberação comercial.
Além disso, a agência avaliou diferentes apresentações da solução injetável para aplicação subcutânea, acompanhadas de canetas aplicadoras e agulhas. O processo envolveu análise técnica detalhada, especialmente devido à complexidade da molécula da semaglutida.
Até a aprovação do Ozivy, nenhum concorrente havia obtido autorização para comercializar produtos com essa substância após a expiração da patente. Em alguns casos, a própria Anvisa rejeitou solicitações por inconsistências documentais ou falhas no atendimento dos requisitos regulatórios.
Concorrência pode pressionar preços
A entrada de novos fabricantes tende a aumentar a concorrência em um segmento que permaneceu concentrado por anos. Por esse motivo, especialistas do mercado avaliam que a ampliação da oferta poderá contribuir para uma redução gradual dos preços ao consumidor nos próximos anos.
Entretanto, a semaglutida não segue o modelo tradicional dos medicamentos genéricos. Como se trata de uma molécula complexa, cada produto precisa cumprir exigências regulatórias específicas e apresentar evidências próprias de segurança e desempenho terapêutico.
Nos bastidores da indústria, a corrida pela semaglutida já mobiliza diversos laboratórios. Levantamentos apontam que dezenas de pedidos relacionados à substância foram protocolados junto à Anvisa ainda antes do término da patente, demonstrando o interesse do setor em participar desse mercado.
Produto ainda não tem data para chegar às farmácias
Apesar da aprovação regulatória, o Ozivy ainda não está disponível para venda. Antes do lançamento, a EMS precisa concluir etapas comerciais e operacionais, como a definição do preço, a fabricação dos lotes iniciais e a distribuição para redes farmacêuticas.
A empresa também não divulgou previsão oficial para o início das vendas. Enquanto isso, o mercado acompanha os próximos movimentos da concorrência, já que outras farmacêuticas também buscam autorização para comercializar medicamentos à base de semaglutida no Brasil.

