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Mosquito da dengue pode driblar repelente

Estudo aponta que o Aedes aegypti consegue associar o cheiro do DEET à alimentação, mas especialistas reforçam que o produto ainda protege contra picadas

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Mosquito da dengue pode driblar repelente
Foto: Divulgação

Pesquisadores da França e dos Estados Unidos descobriram que o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, pode aprender a associar o cheiro do repelente DEET à alimentação. O estudo, publicado em maio de 2026 na revista científica Journal of Experimental Biology, analisou o comportamento do inseto em laboratório. A pesquisa chama atenção porque mostra que o mosquito consegue mudar sua resposta diante de experiências repetidas. Ainda assim, os cientistas reforçam que o repelente continua recomendado e não deve ser abandonado.

Mosquito aprende com a repetição

O estudo avaliou fêmeas do Aedes aegypti, espécie que transmite dengue, zika, chikungunya e febre amarela. Primeiro, os pesquisadores expuseram os mosquitos ao cheiro do DEET. Depois, associaram esse odor ao momento da alimentação. Com a repetição, parte dos insetos mudou o comportamento.

Assim, o mosquito deixou de reagir ao cheiro como se ele fosse uma ameaça. Em vez disso, passou a tratar o odor como sinal de alimento. Na prática, o repelente perdeu, em condições controladas, parte do efeito de afastamento esperado.

Esse resultado não significa que o produto falhou no mundo real. Porém, ele revela algo importante: o mosquito não age apenas por instinto. Ele também aprende, memoriza e ajusta sua resposta. Portanto, o combate à dengue precisa considerar essa capacidade de adaptação.

Testes ocorreram em laboratório

Apesar do alerta, os próprios pesquisadores pedem cautela. O estudo ocorreu em ambiente controlado, com condições específicas e repetidas. Por isso, ele não prova que o mesmo comportamento aconteça da mesma forma em casas, ruas, quintais ou bairros com alta circulação do mosquito.

Ainda assim, a descoberta amplia o conhecimento sobre o Aedes aegypti. Até então, muitas estratégias de prevenção tratavam o inseto como um vetor previsível. Agora, a pesquisa reforça que ele pode responder ao ambiente de maneira mais complexa.

Além disso, o resultado ajuda cientistas a entender como o mosquito percebe cheiros, identifica riscos e busca alimento. Com isso, novas pesquisas podem aperfeiçoar repelentes e criar formas mais eficientes de prevenção.

Repelente continua sendo aliado

Mesmo com a descoberta, a orientação segue a mesma. As pessoas devem continuar usando repelente, principalmente em áreas com transmissão de dengue. O DEET ainda aparece entre os ativos mais usados no mundo e segue recomendado como proteção individual contra picadas.

Portanto, a mensagem precisa ser clara: o estudo não autoriza ninguém a abandonar o repelente. Pelo contrário, ele reforça a necessidade de usar o produto corretamente.

Além disso, o repelente deve fazer parte de um conjunto de cuidados. Ele protege a pessoa no curto prazo. Porém, sozinho, não elimina o problema. Para reduzir a circulação do mosquito, a população também precisa acabar com os criadouros.

Prevenção depende de rotina

A prevenção contra a dengue começa dentro de casa. Por isso, moradores devem eliminar água parada, tampar caixas-d’água, limpar calhas, lavar recipientes, guardar garrafas viradas para baixo e descartar corretamente pneus, potes e entulhos.

Além disso, é importante observar ralos, vasos de plantas, lajes e bandejas de geladeira. Muitas vezes, o foco do mosquito surge em pontos pequenos, quase invisíveis. E é justamente aí que mora o perigo.

O uso do repelente também exige atenção. O produto deve ser aplicado nas áreas expostas do corpo, conforme a orientação do fabricante. Crianças, gestantes e pessoas com alergias devem seguir as recomendações específicas do rótulo ou buscar orientação profissional.

Informação ajuda no combate

A pesquisa não deve gerar pânico. Ela deve gerar atenção. O Aedes aegypti é pequeno, mas tem uma enorme capacidade de adaptação. Ele encontra brechas, ocupa espaços e se multiplica com rapidez quando a prevenção falha.

Por isso, cada cuidado conta. O repelente ajuda. A limpeza ajuda. A eliminação de criadouros ajuda ainda mais. E, quando a população transforma prevenção em rotina, o mosquito perde força.

No fim, o estudo deixa uma lição simples: combater a dengue exige constância. O mosquito aprende, mas a sociedade também pode aprender. E precisa agir antes que a próxima picada vire estatística.

Ismael Melo

Sobre o autor

Ismael Melo

Jornalista do Guararema News, Ismael Melo atua na Grande Florianópolis com foco na cobertura de economia e política regional e nacional. Também produz conteúdos sobre acontecimentos factuais, esportes e temas de repercussão no Brasil. Além disso, possui experiência em radiojornalismo, comunicação institucional, produção audiovisual, podcasts e gestão de conteúdo para diferentes plataformas.

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