
Os municípios de Balneário Camboriú e Blumenau iniciaram nesta semana a soltura de mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia, uma bactéria natural que reduz a transmissão de dengue, zika e chikungunya. Já Joinville, que adotou a tecnologia em 2024, ampliou as liberações para novas áreas. A iniciativa faz parte da Estratégia Nacional de Enfrentamento das Arboviroses, em parceria entre o Ministério da Saúde, a Fiocruz, governos locais, bem como, com a empresa Wolbito do Brasil.
O lançamento oficial será nesta terça-feira (26), em Joinville, e as liberações começam nesta quarta-feira (27). Em Balneário Camboriú, o processo inicia pelos bairros Nações e Ariribá, com solturas sempre às terças e quintas-feiras, no início da manhã, durante 26 semanas.
Pesquisas realizadas antes da implantação mostraram ampla aprovação popular. A maioria dos moradores avaliou positivamente a chegada da tecnologia e, no caso de Joinville, apoiou a expansão para outras regiões. De acordo com as autoridades, esse respaldo demonstra confiança na ciência e disposição em colaborar.
A secretária de Saúde de Balneário Camboriú, Aline Leal, destacou a importância da estratégia. “O Método Wolbachia reforça a proteção da população, é seguro para pessoas, animais e meio ambiente, além de complementar outras ações preventivas. Estamos confiantes nos resultados”, afirmou.
O método funciona de forma autossustentável. Os mosquitos com Wolbachia transmitem, assim, a bactéria para seus descendentes. Com o tempo, a maioria da população de Aedes aegypti da região passa a carregar a bactéria, o que reduz a transmissão de vírus de forma contínua, sem necessidade de novas liberações.
A vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Priscila Ferraz, ressaltou que a continuidade do programa representa “um ganho para toda a população dos três municípios, que enfrentam alta transmissão de dengue nos últimos anos”.
Método Wolbachia já apresentou redução dos casos de dengue
Estudos científicos nacionais e internacionais comprovam a eficácia do método. Em Niterói (RJ), por exemplo, dados preliminares apontaram redução de quase 89% nos casos de dengue após a implementação. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a tecnologia, já incorporada às políticas públicas brasileiras com aprovação da Anvisa.
Mesmo com a nova estratégia, autoridades reforçam que a população deve manter os cuidados tradicionais contra o mosquito, como eliminar focos de água parada. A união entre tecnologia e prevenção cotidiana é considerada, portanto, fundamental para reduzir os casos de arboviroses em Santa Catarina.

