
A Justiça de Joinville determinou a interdição urgente de quatro lares de idosos após uma investigação apontar denúncias graves de maus-tratos, desnutrição e condições subumanas. A decisão liminar atende a um pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que constatou riscos imediatos à saúde dos moradores. De acordo com a sentença, o casal proprietário das instituições perdeu o direito de atuar no atendimento a idosos e terá de transferir todos os residentes para locais adequados em até dez dias.
Promotoria da Justiça relata fome e falta de higiene nos lares
Os relatórios da promotoria revelaram um cenário de horror provocado por uma rígida contenção de gastos dos proprietários. As vistorias flagraram idosos recebendo alimentação insuficiente e com baixo valor nutricional. Além disso, os agentes constataram a falta de materiais básicos de higiene e saúde, como fraldas, luvas e insumos para curativos.
Como resultado dessa negligência, os idosos sofriam com intervalos excessivos entre banhos e trocas de fralda. Os cuidadores das unidades também utilizavam materiais improvisados para fazer tratamentos e curativos médicos.
Isolamento e desvio de dinheiro
As investigações do Ministério Público trouxeram à tona práticas ainda mais cruéis. Os administradores tentavam esconder os problemas falsificando prontuários de saúde e dopando os idosos com o uso irregular de medicamentos durante as fiscalizações. No entanto, o isolamento dos residentes chamou a atenção das autoridades. Os lares proibiam a comunicação dos idosos com os próprios familiares para evitar denúncias.
Dessa forma, o Ministério Público reuniu provas que apontam para maus-tratos contínuos e desvio do dinheiro das aposentadorias dos próprios idosos. O casal gestor responderá ao processo em segredo de Justiça e enfrentará uma multa diária de R$ 1 mil se descumprir as ordens judiciais.

