
O jornal Clarín, principal e mais tradicional periódico diário da Argentina, denunciou nesta semana o surto de gastroenterite que acomete milhares de turistas e também moradores de Florianópolis. A imprensa de Buenos Aires aponta os índices de poluição marítima como a causa das doenças, que lotaram as unidades de saúde nos últimos dias, principalmente a UPA de Canasvieiras, no Norte da Ilha.
O Clarín também lembrou a epidemia de norovírus que ocorreu em 2023 na capital catarinense. O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, afirmou nas suas redes sociais que a causa dos problemas são os queijos vendidos de forma irregular por ambulantes de praia.
No entanto, o engenheiro de alimentos Alex Copetti de Araújo, procurado pela reportagem argentina, disse que é improvável que o surto seja causado pela alimentação. “O queijo coalho, vendido nas praias, é um queijo curado, com menor teor de água e assado na hora. Portanto, é bem difícil de ser a fonte da contaminação”, diz.
Em Florianópolis, quase 500 pessoas tiveram doença diarreica na primeira semana de 2025. Os episódios estão sendo classificados como “virose“, já que, em geral, surtos desse tipo estão associados à infecção por diferentes vírus, como rotavírus, norovírus, adenovírus, entre outros agentes.
Mar poluído e lixo
Apesar de os casos serem considerados de baixo risco, os sintomas como dores abdominais, diarreia e vômito merecem atenção. Dados oficiais dão conta de que o quadro atual é o maior já registrado nos últimos cinco anos.
A frequência desses surtos aumenta durante o verão, devido ao calor e ao fluxo turístico intenso, explicam os especialistas. O crescimento de casos é também impulsionado por aglomerações e práticas inapropriadas de higiene, comuns em eventos festivos.
A exposição a locais inadequados para banho e alimentos contaminados aumenta o risco de infecção. As chuvas e enchentes também contribuem, já que promovem o contato com águas contaminadas.
Nas redes sociais, avolumam-se postagens chamando a atenção para o lixo acumulado nas principais vias dos balneários do Norte da Ilha, onde recentemente, a prefeitura terceirizou a coleta de resíduos sólidos.
As viroses atribuídas ao norovírus são notórias por afetarem o sistema digestivo, trazendo sintomas variados. É importante distinguir entre diarreia viral e bacteriana.
A bacteriana tende a ser mais severa, com febre alta e desidratação intensa, enquanto a viral, embora aguda, é mais comum nesta época do ano e geralmente melhora em até 48 horas.
Medidas para evitar a virose em Florianópolis
Manter práticas de higiene e prevenir o consumo de alimentos inseguros são essenciais para evitar essas doenças. A Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive) destaca a importância de ações preventivas, especialmente durante surtos sazonais como o atual.
- Lave as mãos frequentemente, especialmente após ir ao banheiro e ao manusear alimentos;
- Evite consumir gelo sem procedência garantida;
- Não frequente locais sobre os quais haja alertas de impropriedade para banho;
- Verifique a data de validade dos alimentos e sua integridade antes de consumir;
- Preferira carnes bem cozidas e higienize frutas e vegetais adequadamente;
- Aumente a ingestão de líquidos, assegurando que a água seja de qualidade comprovada.
Como proceder ao apresentar sintomas?
É recomendável procurar imediatamente serviços de saúde. Exames indicarão se os sintomas decorrem de contaminação por vírus, parasitas ou bactérias.
Automedicação pode agravar a situação, portanto, buscar orientação médica é crucial. No inquérito em saúde, os profissionais identificam a origem da doença, através do exame da qualidade da água do mar ou mesmo da água usada para consumo humano.
Estes cuidados ajudam a bloquear a propagação do surto e garantem tratamento adequado.
