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Diagnóstico tardio deixa mulher cadeirante em SC

Moradora de Chapecó enfrentou quase dois anos de incertezas até descobrir doença rara que comprometeu sua mobilidade

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Diagnóstico tardio deixa mulher cadeirante em SC
Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal

Uma moradora de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, perdeu a mobilidade e passou a usar cadeira de rodas após enfrentar quase dois anos sem diagnóstico para uma doença rara. Os primeiros sintomas surgiram no fim de 2023, mas a confirmação da condição só ocorreu em 2025, o que atrasou o tratamento adequado e agravou o quadro.

Sintomas iniciais e início da investigação

Aos 37 anos, Idiamara Ferreira de Castro Alves percebeu uma mancha escura no centro da visão. Embora enxergasse normalmente ao redor, a alteração acendeu um alerta.

Inicialmente, médicos identificaram neurite óptica e edema de papila. Por isso, iniciaram tratamento com corticoides, que trouxe melhora temporária. No entanto, meses depois, os sintomas voltaram, desta vez, no outro olho. Diante disso, os profissionais ampliaram a investigação.

Demora no diagnóstico agrava quadro

Ao longo de 2024, Idiamara realizou diversos exames, como ressonância magnética, análises laboratoriais e punção lombar. Ainda assim, os médicos não chegaram a um diagnóstico conclusivo. Enquanto isso, o estado de saúde piorava.

Sem acesso rápido a exames mais específicos pelo SUS, ela buscou alternativas. Com apoio da comunidade, organizou rifas e arrecadações para custear exames avançados fora da cidade.

Somente em 2025, após consulta com um especialista e exame específico, os médicos confirmaram o diagnóstico de MOGAD — uma doença rara que ataca o sistema nervoso central.

Avanço da doença e perda de mobilidade

Como consequência da demora, a doença evoluiu. As lesões atingiram não apenas o nervo óptico, mas também o cérebro e a medula. Com isso, Idiamara passou a perder força, equilíbrio e coordenação motora. Atualmente, ela utiliza cadeira de rodas.

Além disso, enfrenta sintomas como fadiga intensa, náuseas frequentes e sensibilidade ao calor, o que impacta diretamente sua qualidade de vida.

Tratamento traz estabilização

Após o diagnóstico, a paciente iniciou um tratamento contínuo com medicação semelhante à quimioterapia, aplicada mensalmente. A partir disso, o quadro estabilizou. Segundo ela, não surgiram novas lesões, e a recuperação ocorre de forma gradual. Apesar disso, as sequelas permanecem.

“Se o diagnóstico tivesse vindo antes, a situação poderia ser diferente”, relata.

Rotina muda e família se adapta

Antes da doença, Idiamara trabalhava como manicure e cuidava da casa e dos filhos. No entanto, precisou encerrar as atividades profissionais após a perda de coordenação motora. Agora, a família reorganiza a rotina diariamente.

Enquanto o marido e os filhos ajudam nas tarefas, ela realiza atividades com limitações e adaptações. Apesar das dificuldades, já voltou a executar ações básicas, como se alimentar e tomar banho sozinha.

Ainda assim, sair de casa segue sendo um desafio devido à falta de acessibilidade.

Doença rara ainda é pouco conhecida

A MOGAD ainda enfrenta baixa divulgação, inclusive entre profissionais da saúde. Por isso, o diagnóstico costuma ser tardio. Além disso, a ausência de protocolos amplamente definidos no Brasil dificulta o acesso ao tratamento.

Diante desse cenário, Idiamara decidiu transformar a própria experiência em alerta. “Quanto antes as pessoas descobrirem, maiores são as chances de preservar a qualidade de vida”, afirma.

Alice Soares

Sobre o autor

Alice Soares

Alice atua na cobertura do Guararema News na região da Grande Florianópolis. Com foco em temas do cotidiano de quem vive na região, a jornalista contribui com apuração e pesquisa de notícias nacionais, incluindo temas voltados ao entretenimento.

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