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Câncer de mama: 80% dos casos atingem mulheres acima dos 50 anos; veja os sinais

Levantamento revela que mais da metade dos diagnósticos atendidos pelo SUS ocorre em estágios avançados.

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Câncer de mama: 80% dos casos atingem mulheres acima dos 50 anos; veja os sinais
Foto: divulgação

O risco de desenvolver câncer de mama aumenta após os 50 anos, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). De acordo com o órgão, cerca de oito em cada dez casos da doença atingem mulheres nessa faixa etária. Além disso, fatores hormonais, características genéticas e hábitos de vida também influenciam o desenvolvimento da doença.

Com o envelhecimento, o organismo acumula alterações celulares e exposições a diferentes fatores de risco. Consequentemente, a probabilidade de desenvolver tumores malignos aumenta, principalmente entre mulheres que passaram por longos períodos de exposição a determinados hormônios.

Entretanto, o câncer de mama também pode atingir mulheres mais jovens e, em situações menos frequentes, homens. Por isso, especialistas destacam a importância de reconhecer alterações nas mamas e procurar atendimento médico diante de qualquer sinal suspeito.

Por que o risco aumenta depois dos 50 anos?

O envelhecimento representa um dos principais fatores de risco para o câncer de mama. Isso acontece porque, ao longo da vida, as células acumulam alterações que podem favorecer o surgimento da doença.

Além disso, o histórico hormonal e reprodutivo também influencia esse processo. Segundo o INCA, a exposição prolongada ao estrogênio, hormônio produzido naturalmente pelo organismo ou administrado em tratamentos, pode aumentar o risco.

Entre os fatores associados à doença, destacam-se:

  • Menstruação precoce: primeira menstruação antes dos 12 anos.
  • Menopausa tardia: encerramento do período menstrual depois dos 55 anos.
  • Gravidez após os 30 anos: primeira gestação em idade mais avançada.
  • Ausência de filhos: mulheres que nunca engravidaram também podem apresentar maior risco.
  • Uso prolongado de anticoncepcionais hormonais combinados: pode influenciar o risco durante determinados períodos.
  • Reposição hormonal: tratamentos após a menopausa, especialmente por períodos prolongados, exigem avaliação médica individualizada.

No entanto, apresentar um ou mais desses fatores não significa que a mulher desenvolverá câncer. Da mesma forma, a doença pode surgir em pessoas que não apresentam fatores de risco conhecidos.

Mais da metade dos diagnósticos ocorre em estágio avançado

Apesar dos avanços na prevenção e no diagnóstico, o Brasil ainda enfrenta dificuldades para identificar o câncer de mama nas fases iniciais.

Um levantamento do Panorama da Atenção ao Câncer de Mama mostrou que aproximadamente 51% dos casos atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) receberam diagnóstico nos estágios 3 e 4, considerados avançados.

Além disso, a pesquisa identificou diferenças importantes entre as faixas etárias.

Percentual de diagnósticos em estágios avançados, por faixa etária

Fonte: Panorama da Atenção ao Câncer de Mama, dados divulgados em outubro de 2026.

Percentuais entre os casos diagnosticados em cada faixa etária, não o risco de desenvolver a doença.

Os números mostram que, embora o risco de desenvolver câncer de mama aumente com a idade, mulheres mais jovens também enfrentam dificuldades para obter o diagnóstico nas fases iniciais.

Por isso, os especialistas reforçam a necessidade de ampliar o acesso aos exames e acelerar a investigação de sintomas suspeitos.

Quais sinais podem indicar câncer de mama?

O câncer de mama nem sempre provoca dor ou sintomas perceptíveis nas fases iniciais. Entretanto, algumas mudanças no corpo podem indicar a necessidade de investigação médica.

Segundo o INCA, as mulheres devem ficar atentas aos seguintes sinais:

  • Caroço na mama: principalmente quando apresenta consistência endurecida, permanece fixo ou aumenta de tamanho.
  • Alterações na pele: vermelhidão persistente, retrações ou aparência semelhante à casca de laranja.
  • Mudanças no mamilo: alterações no formato ou retração.
  • Saída espontânea de líquido pelo mamilo: especialmente quando ocorre em apenas uma das mamas.
  • Aumento do tamanho da mama: crescimento progressivo ou mudanças incomuns no formato.
  • Nódulos nas axilas ou no pescoço: aparecimento de caroços nessas regiões.
  • Feridas persistentes: lesões na mama que não melhoram com os tratamentos habituais.

Além disso, a mulher deve observar qualquer alteração diferente do aspecto habitual das próprias mamas.

Contudo, esses sintomas não confirmam, isoladamente, a presença de câncer. Portanto, a avaliação médica é fundamental para identificar a causa e determinar a necessidade de exames complementares.

Quando a mulher deve fazer mamografia?

A mamografia representa uma das principais ferramentas para identificar alterações suspeitas antes mesmo do surgimento de sintomas.

Atualmente, o Ministério da Saúde recomenda que mulheres entre 50 e 74 anos realizem a mamografia de rastreamento a cada dois anos, mesmo quando não apresentam sinais da doença.

Além disso, o SUS permite que mulheres entre 40 e 49 anos solicitem o exame, desde que recebam orientações sobre os possíveis benefícios e riscos.

Por outro lado, mulheres com histórico familiar importante ou risco elevado devem conversar com um profissional de saúde para definir um acompanhamento individualizado.

É importante destacar que essas orientações se referem ao rastreamento de pessoas sem sintomas. Quando surgem alterações suspeitas, o médico pode solicitar exames diagnósticos em qualquer idade, independentemente do calendário de rastreamento.

Como reduzir os riscos da doença?

Embora não seja possível evitar todos os casos de câncer de mama, a adoção de hábitos saudáveis pode contribuir para diminuir o risco.

Primeiramente, os especialistas recomendam manter uma rotina de atividades físicas e controlar o peso corporal. Além disso, evitar bebidas alcoólicas e manter uma alimentação equilibrada são medidas importantes para a saúde.

Da mesma forma, mulheres que utilizam tratamentos hormonais devem conversar com seus médicos sobre os riscos e benefícios, especialmente após a menopausa.

Entretanto, nenhuma dessas medidas elimina completamente a possibilidade de desenvolver a doença. Por isso, o acompanhamento médico e a atenção aos sintomas continuam fundamentais.

Durante o Outubro Rosa, campanha dedicada à conscientização sobre o câncer de mama, profissionais de saúde reforçam que a informação e o acesso ao diagnóstico podem salvar vidas.

Assim, reconhecer os sinais, procurar atendimento diante de mudanças suspeitas e realizar os exames recomendados são atitudes essenciais para aumentar as chances de identificar a doença precocemente.

Ismael Melo

Sobre o autor

Ismael Melo

Jornalista do Guararema News, Ismael Melo atua na Grande Florianópolis com foco na cobertura de economia e política regional e nacional. Também produz conteúdos sobre acontecimentos factuais, esportes e temas de repercussão no Brasil. Além disso, possui experiência em radiojornalismo, comunicação institucional, produção audiovisual, podcasts e gestão de conteúdo para diferentes plataformas.

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