
O Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu que a demora do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em contratar vacinas Coronavac gerou um prejuízo de, no mínimo, R$ 260 milhões. Segundo o relatório técnico, o processo de negociação no Ministério da Saúde se estendeu por sete meses ao longo de 2023, o que levou à perda de 80% das doses adquiridas por falta de validade.
Desperdício das vacinas
O governo comprou 10 milhões de doses junto ao Instituto Butantan por R$ 330 milhões. No entanto, a “excessiva demora” na tramitação fez com que o imunizante chegasse ao Ministério com prazo curto de vencimento. Como resultado, 8 milhões de doses não saíram dos armazéns federais e acabaram incineradas.
Além disso, o tribunal destaca que o impacto financeiro pode atingir quase a totalidade do contrato. Das 2 milhões de doses distribuídas aos estados, apenas 260 mil foram aplicadas, refletindo o desuso da vacina no SUS naquele período.
Alertas de atraso do Butantan
O relatório revela que o Instituto Butantan alertou o ministério oficialmente em duas ocasiões — maio e setembro de 2023 — sobre o risco da demora. O fabricante avisou que o tempo de contrato estava consumindo o prazo útil dos lotes.
Contudo, a pasta ignorou os avisos e, dias antes de receber o produto, isentou o Butantan da obrigação de substituir frascos com validade inferior à exigida em contrato. Para os auditores do TCU, o ministério assumiu o risco ao aceitar as vacinas sem garantia de troca.
Justificativa do govero
O Ministério da Saúde atribuiu o problema ao cenário de “completo abandono” herdado da gestão Jair Bolsonaro e alegou que a baixa procura foi fruto de desinformação. O TCU rejeitou o argumento, pontuando que o próprio governo já sabia da baixa adesão popular.
Embora o ministro relator Bruno Dantas não tenha visto evidências de envolvimento direto da ministra Nísia Trindade, o tribunal decidiu cobrar explicações de dois ex-diretores de compras. Por fim, o TCU identificou que a conduta desses servidores apresentou marcos de morosidade que contribuíram para a perda dos recursos públicos.

