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Anvisa alerta que ivermectina não trata câncer

Agência afirma que não há comprovação científica de eficácia do medicamento contra tumores e alerta para os riscos de informações falsas nas redes sociais

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Anvisa alerta que ivermectina não trata câncer
Foto: Divulgação / Marcello Casal Jr / Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alertou nesta quinta-feira (15 de outubro de 2026) que a ivermectina não tem eficácia comprovada no tratamento do câncer. O comunicado foi divulgado após a circulação de publicações nas redes sociais que atribuem ao medicamento propriedades antitumorais. Segundo a agência, não existem evidências científicas suficientes para confirmar que a substância elimine tumores ou cure a doença.

Estudos não comprovam eficácia contra o câncer

De acordo com a Anvisa, parte das publicações utiliza resultados de estudos realizados em laboratório, conhecidos como in vitro, e em animais para sugerir que a ivermectina pode combater o câncer. No entanto, esses experimentos representam etapas iniciais da pesquisa científica e, por si só, não comprovam que um medicamento funcione com segurança e eficácia em seres humanos.

Além disso, circulam informações sobre supostos ensaios clínicos que avaliariam o uso da substância em pacientes com câncer. Também há a divulgação de livros digitais e protocolos que apresentam a ivermectina como parte central de tratamentos contra a doença.

Apesar dessas alegações, a agência ressalta que não há comprovação científica de que o medicamento cure o câncer. A ivermectina tem indicação aprovada para o tratamento de determinadas infecções causadas por parasitas, conforme as especificações da bula.

Informações falsas circulam desde 2019

Segundo a Anvisa, as informações falsas que associam a ivermectina ao tratamento do câncer circulam desde 2019. Na época, um estudo identificou efeitos de medicamentos antiparasitários em células tumorais de ratos, o que contribuiu para a disseminação dessas alegações.

Entretanto, resultados obtidos em células ou animais não garantem os mesmos efeitos em pessoas. Por isso, os pesquisadores precisam realizar outras etapas de investigação para avaliar a segurança, a dosagem e a eficácia de uma substância antes de recomendar seu uso clínico.

Um estudo publicado em 2024 na revista científica PLOS Biology também destacou as dificuldades de transformar resultados de pesquisas com animais em tratamentos para seres humanos. Dessa forma, a existência de um experimento preliminar não significa que um medicamento esteja apto a tratar uma doença.

Anvisa alerta para riscos aos pacientes

A circulação de informações sem comprovação científica preocupa a agência porque pode levar pacientes a abandonar tratamentos recomendados por profissionais de saúde. Além disso, o uso de medicamentos sem orientação médica pode expor as pessoas a riscos desnecessários.

Atualmente, existem mais de 200 tipos de câncer, e cada um exige uma avaliação específica. Por isso, a equipe médica define o tratamento de acordo com fatores como o tipo de tumor, o estágio da doença e as condições clínicas do paciente.

Entre as terapias utilizadas no tratamento oncológico estão a quimioterapia e a radioterapia. Em situações específicas, os médicos também podem recomendar o transplante de medula óssea. Essas abordagens podem ser utilizadas isoladamente ou em combinação, conforme as características de cada caso e os protocolos clínicos indicados.

Diante desse cenário, a Anvisa reforça a importância de buscar informações em fontes confiáveis e seguir as orientações da equipe de saúde. Assim, pacientes e familiares podem evitar tratamentos sem eficácia comprovada e tomar decisões com base em evidências científicas.

Alice Soares

Sobre o autor

Alice Soares

Alice atua na cobertura do Guararema News na região da Grande Florianópolis. Com foco em temas do cotidiano de quem vive na região, a jornalista contribui com apuração e pesquisa de notícias nacionais, incluindo temas voltados ao entretenimento.

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