
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou nesta terça-feira (18) uma imagem que apresenta o Estreito de Ormuz como o mais novo território americano.
Com a publicação, Trump voltou a provocar o Irã e aumentou a tensão em torno de uma das rotas marítimas mais importantes do mundo. No entanto, a imagem não produz efeito jurídico e não transforma a região em território dos Estados Unidos.
Além disso, o governo americano não anunciou nenhuma medida formal para anexar ou assumir a passagem. Portanto, o conteúdo divulgado representa uma provocação política em meio ao conflito com o Irã.
O que Trump publicou?
Na imagem, Trump apresenta o Estreito de Ormuz como um novo território dos Estados Unidos. Dessa maneira, o presidente reforçou publicamente o desejo de controlar a passagem estratégica.
Um dia antes, Trump já havia defendido a ideia de assumir oficialmente a região. Durante um evento político em Nova York, ele afirmou que declararia o estreito como território americano depois de derrotar o Irã.
Assim, o republicano intensificou uma declaração que já havia provocado reação internacional. Embora tenha apresentado a proposta em tom provocativo, ele elevou a pressão diplomática sobre Teerã.
Contudo, o Estreito de Ormuz fica entre o Irã e Omã. Por isso, Washington não pode alterar a soberania da região apenas com declarações ou publicações nas redes sociais.
Por que o Estreito de Ormuz interessa aos Estados Unidos?
O Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar da Arábia. Além disso, a passagem concentra parte importante do transporte mundial de petróleo e gás.
Em condições normais, aproximadamente um quinto do petróleo comercializado no mundo atravessa a região. Portanto, quem controla o estreito exerce forte influência sobre o mercado internacional de energia.
Além do petróleo, navios transportam gás, fertilizantes e outras mercadorias pela passagem. Consequentemente, qualquer bloqueio, ataque ou ameaça afeta países de diferentes continentes.
Por isso, os Estados Unidos pressionam pela reabertura e pela livre circulação das embarcações. Ao mesmo tempo, o Irã usa o controle da passagem como instrumento político e militar.
Como o Irã reagiu às ameaças de Trump?
O governo iraniano rejeitou imediatamente a possibilidade de os Estados Unidos assumirem o Estreito de Ormuz. Além disso, autoridades de Teerã afirmaram que não aceitarão ameaças nem demonstrações de força.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que os Estados Unidos não tomarão a passagem por meio de publicações, porta-aviões ou discursos.
Dessa forma, Teerã respondeu diretamente às ameaças de Trump. O governo iraniano também sustenta que decide quando abre ou fecha a rota.
Entretanto, Omã também possui território na região. Portanto, nenhuma das partes pode transformar todo o estreito em propriedade exclusiva sem enfrentar graves consequências diplomáticas e militares.
Como a disputa afeta o preço do petróleo?
A crise entre Estados Unidos e Irã já reduziu o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. Além disso, ataques, bloqueios e ameaças aumentaram os riscos para petroleiros e embarcações comerciais.
Diante desse cenário, as transportadoras precisam reforçar a segurança, contratar seguros mais caros e avaliar rotas alternativas. Consequentemente, as empresas repassam parte desses custos ao preço do petróleo e dos combustíveis.
A disputa também afeta países que dependem da rota para importar energia. Por isso, qualquer ataque ou nova restrição pode provocar uma reação imediata nos mercados internacionais.
Agora, Trump usa a imagem para ampliar a pressão sobre o Irã e sustentar sua estratégia de confronto. Contudo, a publicação não mudou fronteiras nem transformou o Estreito de Ormuz em território dos Estados Unidos.

