
O terremoto que atingiu a Colômbia em 10 de agosto transformou a primeira semana de Abelardo de la Espriella na Presidência em uma crise nacional. O tremor de magnitude 7,4 matou pelo menos 289 pessoas, deixou milhares de feridos e atingiu 11 dos 32 departamentos do país.
Espriella havia assumido o cargo apenas três dias antes da tragédia. Diante da destruição, o presidente de ultradireita suspendeu a agenda política, interrompeu uma viagem pelo país e assumiu a coordenação da resposta ao desastre.
Além disso, Espriella decretou calamidade pública. Com isso, o governo ganhou mais liberdade para contratar serviços, liberar recursos e acelerar medidas emergenciais.
No entanto, a recusa de parte da ajuda internacional provocou críticas e levantou dúvidas sobre a influência ideológica nas decisões do novo governo.
Por que o governo recusou ajuda internacional?
A Colômbia rejeitou equipes estrangeiras de busca e resgate oferecidas por vários países. Entretanto, o governo aceitou o apoio de Estados Unidos, Israel, Equador e El Salvador, nações politicamente próximas de Espriella.
A decisão provocou questionamentos porque o governo a anunciou mais de dois dias depois do terremoto. Nesse momento, as equipes já se aproximavam do fim da janela crítica de 72 horas, período considerado decisivo para localizar sobreviventes sob os escombros.
Além disso, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que entraves burocráticos impostos por Bogotá impediram o envio de brigadas militares mexicanas.
Por outro lado, o chanceler colombiano, Omar Bula, negou qualquer motivação ideológica. Segundo ele, o governo analisou apenas a capacidade técnica e as certificações internacionais das equipes oferecidas.
Ainda assim, a escolha de países alinhados ao novo presidente aumentou a pressão sobre a gestão e alimentou críticas dentro e fora da Colômbia.
Como a transição de governo afetou a resposta?
A troca conturbada de poder também dificultou a atuação das autoridades. Quando o terremoto atingiu o país, Javier Pava, aliado do ex-presidente Gustavo Petro, ainda comandava a Unidade Nacional para Gestão de Risco de Desastres.
Antes da posse, Espriella acusou Petro de tentar um golpe de Estado e interrompeu as conversas formais entre as duas equipes. Como consequência, o novo governo iniciou o mandato sem concluir algumas nomeações estratégicas.
Embora Espriella já tivesse escolhido David Santiago Tamayo para comandar a unidade de desastres, o presidente só formalizou a nomeação na noite de terça-feira, dia 11, um dia após o terremoto.
Depois disso, integrantes do novo governo responsabilizaram a gestão anterior pela recusa inicial da ajuda estrangeira. O ex-diretor, no entanto, rejeitou a acusação.
Pava reconheceu que o órgão inicialmente não considerou necessário solicitar novas equipes internacionais. Porém, ele afirmou que a decisão refletiu as informações enviadas pelos governos locais naquele momento.
Além disso, o ex-diretor disse que autorizou posteriormente outras formas de ajuda, como apoio tecnológico, hospitais de campanha e assistência humanitária.
O que Espriella fez após o terremoto?
Antes da tragédia, Espriella pretendia iniciar o mandato com medidas mais duras na segurança pública e uma política de redução dos gastos do governo. Entretanto, a destruição causada pelo terremoto obrigou o presidente a adiar as promessas de campanha.
Em seguida, Espriella, a primeira-dama, o vice-presidente e ministros visitaram algumas das áreas mais atingidas. O presidente passou por cidades como Pereira e Manizales, enquanto o governo enviou equipes nacionais de resgate para diferentes regiões.
Ao mesmo tempo, Bogotá concentrou a coordenação das ações emergenciais. Além de procurar desaparecidos, as autoridades passaram a organizar o atendimento aos feridos e o auxílio às famílias que perderam suas casas.
Qual será o próximo desafio do governo?
Agora, Espriella precisa conduzir a reconstrução de cidades, escolas, hospitais, estradas e milhares de moradias. Além disso, o presidente terá de explicar os critérios usados para aceitar ou recusar a ajuda internacional.
O desastre também colocou em segundo plano o programa político que levou Espriella ao poder. Portanto, antes de avançar com cortes de gastos e medidas de segurança, o novo governo precisará financiar a recuperação das regiões destruídas.
Assim, o terremoto não apenas abalou a Colômbia. A tragédia também expôs os problemas da transição de poder, acirrou a disputa entre Espriella e Petro e revelou as primeiras escolhas políticas do novo presidente.

