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Peru destitui presidente José Jerí após votação no Congresso

Parlamentares aprovam moção e ampliam crise política às vésperas de eleição

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Peru destitui presidente José Jerí após votação no Congresso
Franklin Jacome/Agencia Press South/Getty Images

O Congresso do Peru destituiu nesta terça-feira (17), em Lima, o presidente José Jerí, ao aprovar por 75 votos a favor, 24 contra e três abstenções uma moção de censura baseada em suspeitas de corrupção e falta de transparência. Os parlamentares alegaram que Jerí realizou reuniões não declaradas com empresários estrangeiros e, por isso, decidiram encerrar o mandato iniciado em outubro de 2025, aprofundando a instabilidade política no país a poucos meses das eleições gerais previstas para abril.

Congresso acelera processo e encerra mandato

Primeiro, deputados protocolaram a moção. Em seguida, abriram debate no plenário. Logo depois, votaram e confirmaram o afastamento. Assim, o Congresso retirou Jerí do cargo de forma imediata.

Parlamentares argumentaram que o então presidente omitiu informações sobre encontros com empresários chineses. Além disso, apontaram possível conflito de interesses. Por isso, sustentaram que ele comprometeu a confiança pública e violou princípios de transparência.

Jerí, por sua vez, negou irregularidades. Ele afirmou que os encontros tinham caráter institucional e buscavam fortalecer relações comerciais. Ainda assim, a maioria considerou as explicações insuficientes e avançou com a destituição.

Crise política se intensifica

Com a saída de Jerí, o Congresso iniciou articulações para eleger um novo presidente da Casa. Pela Constituição peruana, quem assume o comando do Legislativo também ocupa interinamente a Presidência da República até a posse do novo chefe de Estado.

Além disso, a decisão ocorre em um cenário já marcado por sucessivas trocas de comando nos últimos anos. Desde 2016, o Peru enfrenta quedas presidenciais, renúncias e disputas institucionais. Portanto, o novo episódio reforça a percepção de fragilidade política.

Agora, o país entra em uma fase decisiva. De um lado, partidos intensificam campanhas eleitorais. De outro, cresce a pressão por estabilidade institucional e previsibilidade econômica.

Impactos e próximos passos

A destituição amplia a incerteza política. Consequentemente, investidores acompanham o cenário com cautela. Ao mesmo tempo, lideranças políticas tentam construir acordos mínimos para garantir governabilidade até a eleição.

Enquanto isso, o debate sobre o uso recorrente do mecanismo de destituição volta ao centro das discussões. Parlamentares defendem o instrumento como ferramenta constitucional. Já críticos afirmam que o Congresso o utiliza com frequência excessiva.

Assim, o Peru entra em mais um capítulo de sua turbulência recente, agora sob expectativa de renovação nas urnas.

Ismael Melo

Sobre o autor

Ismael Melo

Jornalista do Guararema News, Ismael Melo atua na Grande Florianópolis com foco na cobertura de economia e política regional e nacional. Também produz conteúdos sobre acontecimentos factuais, esportes e temas de repercussão no Brasil. Além disso, possui experiência em radiojornalismo, comunicação institucional, produção audiovisual, podcasts e gestão de conteúdo para diferentes plataformas.

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