
Durante reunião no Conselho de Segurança das Nações Unidas, os Estados Unidos declararam que não mantêm um estado de guerra contra a Venezuela ou sua população. A manifestação surge 48 horas após forças americanas realizarem uma operação militar sem precedentes no último sábado (3), que resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
O governo americano levou o casal para Nova York, onde ambos aguardam julgamento por crimes ligados ao tráfico internacional de entorpecentes. Segundo o embaixador Mike Waltz, Washington classifica a intervenção como uma “operação de aplicação da lei” e descarta qualquer intenção de ocupar o território venezuelano permanentemente.
Divergência sobre número de baixas na Venezuela
Embora os EUA não divulguem um balanço oficial de óbitos, as consequências do combate geram controvérsia internacional. Enquanto o Pentágono relata apenas soldados feridos em condição estável, o Ministério da Defesa da Venezuela afirma que a ação dizimou grande parte da guarda presidencial de Maduro. Além disso, o governo cubano reportou a morte de 32 cidadãos de sua nacionalidade durante o ataque.
Narcoterrorismo e conspiração
No fórum da ONU, Waltz reforçou a tese de que Maduro lidera o Cartel de Los Soles. O representante descreveu o ex-mandatário como um “narcoterrorista” responsável por desestabilizar o hemisfério ocidental e conspirar com grupos como o Hezbollah e autoridades iranianas.
“Prendemos um narcotraficante que agora enfrentará o Estado de Direito pelos crimes que cometeu contra nosso povo por 15 anos”, disparou Waltz.
A acusação federal detalha uma “conspiração de amplo alcance” envolvendo cocaína e tráfico de armas. De acordo com o embaixador, Maduro enriqueceu ilegalmente à custa da miséria de americanos e venezuelanos. O político está, nesta segunda-feira em um tribunal federal para a leitura oficial das acusações.
Questionamento de legitimidade
Os Estados Unidos aproveitam para reiterar que não reconhecem Maduro como autoridade máxima da Venezuela. Para a Casa Branca, ele agia como um “suposto” presidente ilegítimo após manipular o sistema eleitoral no pleito de 2024 — cujas atas oficiais o governo venezuelano nunca apresentou.
Waltz lembrou ainda que o governo de Donald Trump ofereceu diversas rotas diplomáticas no passado. No entanto, o líder venezuelano recusou todas as opções de saída negociada. Para os americanos, a vitória legítima pertence ao opositor Edmundo González, e a captura de Maduro encerra um ciclo de repressão política e crime organizado na região.

