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Da ascensão ao colapso, como Bolsonaro saiu do topo do poder para a prisão

Ex-presidente é preso de forma preventiva após Moraes apontar risco à ordem pública e violação da tornozeleira

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Da ascensão ao colapso, como Bolsonaro saiu do topo do poder para a prisão
Foto: Evaristo Sá / AFP

A manhã deste sábado, 22 de novembro, começou com um impacto nacional. A Polícia Federal prendeu Jair Bolsonaro por ordem do ministro Alexandre de Moraes, que apontou risco iminente à ordem pública. Segundo o ministro, apoiadores convocaram uma vigília para impedir a prisão, o que aumentou a tensão no condomínio do ex-presidente. Além disso, Bolsonaro teria violado a tornozeleira eletrônica, gesto interpretado como tentativa de fuga.

A prisão é preventiva, portanto segue sem prazo definido. Mesmo já condenado a 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro ainda aguarda o fim dos recursos. Assim que eles se esgotarem, ele deve passar diretamente para o regime fechado.

Do baixo clero ao Planalto, uma guinada improvável

Jair Bolsonaro construiu uma trajetória incomum na política. Depois de deixar o Exército em meio a controvérsias, ele se lançou na vida pública e venceu a disputa para vereador no Rio de Janeiro em 1988. Apenas dois anos depois, conquistou uma cadeira na Câmara Federal, onde permaneceu por sete mandatos consecutivos.

Durante décadas, atuou longe das negociações principais, mas, pouco a pouco, conquistou seguidores ao defender pautas conservadoras, exaltar as Forças Armadas e criticar duramente governos petistas. Por causa disso, virou símbolo de grupos que se sentiam órfãos de representação política.

Como 2018 mudou tudo, do atentado às redes sociais

Em 2018, Bolsonaro saiu da periferia política para o centro da disputa presidencial. Sem tempo de televisão e com pouco apoio partidário, ele apostou nas redes sociais, no antipetismo crescente e no discurso anticorrupção. O atentado a faca em Juiz de Fora, que o afastou dos debates, alimentou ainda mais sua narrativa de candidato antissistema.

No segundo turno, derrotou Fernando Haddad com mais de 55 por cento dos votos e levou a direita ao poder com apoio maciço de grupos conservadores, evangélicos e militares.

Governo com reformas, embates e crise sanitária

Ao assumir a presidência, Bolsonaro anunciou uma equipe ministerial que misturava militares, nomes técnicos e figuras ideológicas. Paulo Guedes, na Economia, comandou a aprovação da reforma da Previdência, em 2019, depois de intensa articulação no Congresso. Contudo, o crescimento econômico seguiu tímido e várias promessas de abertura econômica ficaram para trás.

Ao mesmo tempo, Bolsonaro intensificou sua agenda de costumes, estimulou a flexibilização das armas e elevou o tom contra governadores, ministros do STF e a imprensa. Esses atritos aumentaram ao longo do mandato e marcaram profundamente sua relação com os demais Poderes.

Durante a pandemia, sua atuação ampliou as divisões. O presidente minimizou a gravidade da Covid-19, questionou vacinas, ironizou máscaras e incentivou tratamentos ineficazes. Essas escolhas contribuíram para a desorganização das ações de combate ao vírus e alimentaram críticas dentro e fora do governo.

A campanha de 2022 e o caminho até o 8 de janeiro

Bolsonaro tentou se reeleger em 2022 e apostou novamente em ataques ao sistema eleitoral. Organizou motociatas, reuniu embaixadores para espalhar dúvidas infundadas sobre as urnas e mobilizou sua base como nunca. Mesmo assim, perdeu para Luiz Inácio Lula da Silva na eleição mais disputada da história recente.

Logo depois da derrota, Bolsonaro se afastou dos holofotes, evitou reconhecer o resultado e viajou para os Estados Unidos antes mesmo da posse. Esse silêncio prolongado alimentou discursos radicais entre seus seguidores e abriu espaço para ações golpistas.

Em 8 de janeiro de 2023, milhares de apoiadores invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes. A investigação mostrou que Bolsonaro incentivou, nos bastidores, movimentos para desacreditar o processo eleitoral, mesmo que publicamente negasse envolvimento.

Condenações, estratégia de sobrevivência e a busca por anistia

A partir de 2023, a situação jurídica de Bolsonaro se agravou rapidamente. O TSE o declarou inelegível por oito anos. Depois, o STF abriu ação por tentativa de golpe, algo inédito na história da República. Em setembro de 2025, ele foi condenado pela primeira vez.

Nesse cenário, Bolsonaro passou a percorrer o país pedindo uma anistia ampla para ele e seus apoiadores. Participou de atos, gravou vídeos e repetiu que “não iria preso”. Mesmo com forte desgaste político, continuou como figura central da direita.

Agora, porém, sua prisão preventiva muda o tabuleiro. Assim que os recursos forem encerrados, Bolsonaro deve seguir direto para o regime fechado, o que marca o ponto mais dramático de sua trajetória.

A história recente do Brasil muda mais uma vez com a prisão do ex-presidente. Depois de conquistar o Planalto contra todas as previsões, Jair Bolsonaro chega ao momento mais delicado de sua vida pública. Com a direita fragmentada e o país atento ao desenrolar do caso, a política nacional entra em um novo capítulo.

Ismael Melo

Sobre o autor

Ismael Melo

Jornalista do Guararema News, Ismael Melo atua na Grande Florianópolis com foco na cobertura de economia e política regional e nacional. Também produz conteúdos sobre acontecimentos factuais, esportes e temas de repercussão no Brasil. Além disso, possui experiência em radiojornalismo, comunicação institucional, produção audiovisual, podcasts e gestão de conteúdo para diferentes plataformas.

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