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Comissão aponta que JK não morreu em acidente

Relatório da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos conclui que Juscelino Kubitschek pode ter sido vítima da ditadura militar

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Comissão aponta que JK não morreu em acidente
Foto: Divulgação

A Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) deve contestar oficialmente a versão de que o ex-presidente Juscelino Kubitschek morreu em um acidente de carro na Via Dutra, em 1976. O relatório, com mais de 5 mil páginas, será votado nos próximos dias e deve receber aprovação da maioria dos conselheiros.

Na época, o governo do general Ernesto Geisel afirmou que o carro de JK bateu em um ônibus antes de atravessar a pista e atingir um caminhão. No entanto, o novo documento conclui que não houve colisão entre o Opala do ex-presidente e um ônibus da Viação Cometa.

Perícia questiona versão oficial

O relatório reúne investigações anteriores, principalmente um inquérito civil conduzido pelo Ministério Público Federal (MPF) entre 2013 e 2019. Segundo a apuração, o engenheiro Sergio Ejzenberg desmontou tecnicamente os laudos produzidos em 1976 e 1996, que sustentavam a versão oficial do acidente.

Além disso, o documento destaca o contexto político da época. Em 1976, JK integrava a Frente Ampla, movimento de oposição ao regime militar. Documentos ligados à Operação Condor também citavam o nome do ex-presidente entre lideranças consideradas alvo das ditaduras do Cone Sul.

Comissão pode alterar certidão de óbito

Com a aprovação do relatório, a CEMDP poderá determinar a retificação da certidão de óbito de JK e de seu motorista, Geraldo Ribeiro. Nesse caso, o Estado brasileiro passaria a reconhecer que ambos morreram em decorrência de perseguição política durante a ditadura militar.

Criada em 1995, a comissão analisa casos de mortes e desaparecimentos políticos ocorridos entre 1961 e 1988. Apesar da possível mudança oficial, a família de JK não terá direito a indenização, já que o prazo legal expirou.

Conselheiros divergem sobre decisão

A tendência é de aprovação do relatório por pelo menos cinco dos sete conselheiros da comissão. Mesmo assim, representantes do Ministério Público Federal e do Ministério da Defesa demonstraram resistência à medida.

O representante da Defesa, Rafaelo Abritta, afirmou temer que o caso seja explorado politicamente durante o período eleitoral. Ainda assim, ele deixará a comissão nos próximos meses para realizar atividades acadêmicas no exterior.

O caso de JK segue um entendimento semelhante ao adotado pela comissão no processo da estilista Zuzu Angel, cuja morte em um acidente de carro, também em 1976, foi posteriormente reconhecida como atentado praticado pela ditadura militar.

Alice Soares

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Alice atua na cobertura do Guararema News na região da Grande Florianópolis. Com foco em temas do cotidiano de quem vive na região, a jornalista contribui com apuração e pesquisa de notícias nacionais, incluindo temas voltados ao entretenimento.

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