
Uma audiência pública na Câmara de Vereadores de Joinville terminou em confronto verbal na segunda-feira (15). O debate girou em torno do projeto de lei que proíbe o abandono de restos de alimentos, velas, bebidas e objetos ritualísticos em espaços públicos da cidade. Assim como praças, parques e cemitérios.
A proposta foi apresentada pelo presidente da Câmara, vereador Diego Machado (PSD) que enfatizou que “não é sobre religião, é sobre ordem pública”. Em resumo, o texto prevê que quem realizar rituais religiosos em locais públicos deverá recolher todos os resíduos gerados. Nesse sentido, o texto não proíbe manifestação religiosa, porém quer garantir a limpeza dos espaços públicos. Assim, o descumprimento pode resultar em advertência ou multa.
Confusão na audiência
Durante a audiência, Pai Tiago de Bará se apresentou como representante da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, além de entidades ligadas às religiões de matriz africana. Em seguida, ele classificou o projeto como racista. Por fim, pediu providências da Casa contra o que chamou de ataques à liberdade religiosa.
“Primeiro, vereadores, saudar os componentes da mesa e fazer o encaminhamento para a comissão de ética da Casa para averiguar as denúncias de racismo religioso contra o trabalhador público”, disse Pai Tiago.
Na sequência, Diego Machado reagiu. “Eu quero que tu tenhas coragem para falar, tenha coragem para falar. Está sendo gravado. Aqui não ‘pavão, aqui não’. Seu ‘fanfarrão’”, declarou o vereador.
Pai Tiago respondeu chamando o parlamentar de “sem-vergonha e racista” e pediu ao vereador Lucas Machado (Republicanos) que contivesse o presidente da Casa.
Por fim, a plateia se chocou, o clima pesou e o caso já repercute dentro e fora da Câmara.

