
Nesta quarta-feira (20), a Polícia Federal (PF) recusou a proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, preso desde 4 de março por fraudes financeiras. Os investigadores encerraram as conversas após avaliarem que o empresário omitiu o envolvimento de políticos e não trouxe fatos novos que fossem além do que a corporação já descobriu.
Mesmo com a negativa da PF, a defesa do banqueiro foca os esforços na Procuradoria-Geral da República (PGR). Assim, representantes do órgão demonstraram interesse em dar continuidade às tratativas durante reunião com os advogados do réu em Brasília.
Exigências em jogo
As reuniões de bastidores se concentram em três pontos centrais:
- Ressarcimento: O valor estimado para o acordo gira em torno de R$ 50 bilhões.
- Prisão domiciliar: A defesa exige que Vorcaro saia do regime fechado e aguarde o julgamento em casa.
- Cúpula dos Poderes: O ex-banqueiro guarda informações que atingem deputados, senadores e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Cela comum de Daniel Vorcaro
Dessa forma, a resposta da PF à postura seletiva do empresário veio rápido. Vorcaro foi transferido para uma cela comum na Superintendência da PF em Brasília. A polícia descobriu que as primeiras propostas apresentadas pela defesa deixaram de fora nomes da política nacional.
Relação com senadores
Portanto, as investigações apontam que o senador Ciro Nogueira (PP) recebeu vantagens indevidas do ex-dono do Master. Em troca, o parlamentar propôs uma emenda para aumentar o teto do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. O texto da emenda teve a participação direta de funcionários do próprio Banco Master.
Ademais, Vorcaro também omitiu repasses para o senador Flávio Bolsonaro (PL). Mensagens e áudios obtidos pelo Intercept Brasil mostram a negociação de R$ 134 milhões do ex-banqueiro para financiar o filme “Dark Horse”. Desse total, R$ 61 milhões foram repassados ao parlamentar.
O senador admitiu ter se encontrado com o empresário em dezembro de 2025, época em que o banqueiro cumpria prisão domiciliar. Por fim, como o preso escondeu o pagamento e a reunião, a PF rompeu as negociações e deixou o futuro do acordo sob a responsabilidade exclusiva da PGR.

