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ONU declara tráfico de escravizados como ‘crime mais grave contra a humanidade’

Resolução recomenda pedidos de desculpas formais e reparações históricas por parte das nações envolvidas

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ONU declara tráfico de escravizados como ‘crime mais grave contra a humanidade’
Foto: Divulgação / ONU

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, nesta quarta-feira (25), uma resolução histórica que reconhece o tráfico de escravizados como o “crime mais grave contra a humanidade”. O documento estabelece diretrizes para que as nações envolvidas assumam responsabilidades históricas e financeiras pelo período colonial.

Votação na ONU

A proposta recebeu o apoio de 123 países. Em contrapartida, o texto enfrentou três votos contrários e 52 abstenções. Entre as abstenções, destaca-se a posição de Portugal, que evitou apoiar a medida diretamente.

Por outro lado, o bloco de países de língua portuguesa, liderado por Brasil, Angola, Moçambique e Cabo Verde, votou favoravelmente e articulou o apoio à proposta. Segundo a ONU, essa união reforça a necessidade de enfrentar as consequências do tráfico que, por séculos, tratou seres humanos como mercadorias.

Reparação histórica

O documento aprovado não se limita ao reconhecimento do crime. Dessa forma, a resolução orienta que os países considerem:

  • Pedidos formais de desculpas: Reconhecimento oficial do erro histórico.
  • Fundo de reparações: Contribuições financeiras para mitigar desigualdades geradas pelo sistema escravocrata.
  • Devolução de patrimônio: Retorno de bens culturais e históricos retirados de seus países de origem.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que a medida consolida o compromisso global com a justiça. Do mesmo modo, a presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, ressaltou que olhar para o passado é o único caminho para construir sociedades mais inclusivas.

Legado do comércio triangular

O tráfico transatlântico operou entre os séculos XVI e XIX por meio do chamado comércio triangular, conectando Europa, África e Américas. Nesse sentido, dados da Universidade de Cambridge apontam que cerca de 12 milhões de africanos foram enviados à força para as Américas.

Contudo, pesquisadores alertam que o impacto humano é ainda maior. Milhões de pessoas morreram durante as capturas em solo africano ou nas condições subumanas dos navios negreiros antes mesmo de chegarem ao destino.

Por fim, para a ONU, enfrentar esse legado é essencial para combater o racismo estrutural e as injustiças que persistem na modernidade.

Natiele Oliveira

Sobre o autor

Natiele Oliveira

A jornalista confirma a presença do Guararema News na cidade de Blumenau, com uma ampla cobertura de tudo o que acontece na região do Vale do Itajaí, uma das mais importantes de Santa Catarina. Atua também em coberturas nacionais, sempre ligada em notícias que possam fazer a diferença na vida dos leitores, como serviços, empregos, concursos e etc...

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