
Uma possível bactéria identificada na UTI Adulto do Hospital Regional Ruth Cardoso, em Balneário Camboriú, acendeu um alerta na unidade. A hipótese aponta para a Acinetobacter baumannii, microrganismo que pode provocar infecções graves e apresentar resistência a diferentes antibióticos. No entanto, até o momento, o hospital e o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) não confirmaram que essa seja a bactéria encontrada.
A possibilidade aparece em uma representação encaminhada ao MPSC. O documento pede esclarecimentos sobre o caso, enquanto o hospital mantém os pacientes da UTI em isolamento de contato e reforça os protocolos de prevenção.
A unidade informou que identificou uma bactéria na sexta-feira (25). Desde então, profissionais adotaram medidas específicas para controlar o possível agente infeccioso. Além disso, a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) acompanha a situação.
Bactéria pode resistir a vários antibióticos
A Acinetobacter baumannii preocupa principalmente por atingir pessoas que já enfrentam condições de saúde delicadas. Pacientes internados em UTIs, imunossuprimidos ou com doenças graves podem apresentar maior risco de complicações.
Além disso, algumas cepas desenvolvem resistência a vários antibióticos, inclusive aos carbapenêmicos. Esses medicamentos são utilizados no tratamento de determinadas infecções hospitalares graves. Dessa forma, a resistência pode reduzir as opções disponíveis para combater uma infecção.
Entretanto, carregar a bactéria não significa necessariamente estar doente. Em alguns casos, ocorre apenas a colonização, quando o microrganismo permanece no organismo sem provocar uma infecção.
Por outro lado, quando a bactéria causa uma infecção, ela pode atingir diferentes regiões do corpo. A A. baumannii pode provocar pneumonia, especialmente em pacientes que utilizam ventilação mecânica. Também pode atingir a corrente sanguínea, feridas, locais de cirurgias e o sistema urinário. Mais raramente, pode causar meningite.
Em situações graves, a infecção pode evoluir para sepse. Por isso, febre, alteração do estado geral, problemas respiratórios, secreção em feridas, mudanças urinárias e queda da pressão arterial merecem atenção. Ainda assim, esses sinais não confirmam a presença da bactéria.
A identificação depende de exames microbiológicos. Portanto, somente a análise laboratorial pode confirmar o agente e indicar se existe infecção ou apenas colonização.
Hospital reforça medidas dentro da UTI
Após a identificação da bactéria, o Hospital Regional Ruth Cardoso informou que adotou medidas imediatas de controle. Os pacientes permanecem em isolamento de contato e recebem atendimento individualizado.
Além disso, os profissionais utilizam aventais e materiais descartáveis e exclusivos durante os cuidados. A CCIH acompanha os procedimentos e monitora a situação.
Segundo o hospital, a bactéria identificada não se transmite pelo ar. Assim, a instituição afirma que pacientes internados em outros ambientes não correm risco relacionado ao caso.
Enquanto isso, a representação encaminhada ao MPSC solicita informações sobre qual bactéria foi identificada, quando ocorreu o primeiro caso e quantos pacientes podem ter apresentado infecção ou colonização.
O documento também pede laudos, notificações, relatórios da CCIH e detalhes dos protocolos adotados na UTI. Dessa maneira, os esclarecimentos devem ajudar a determinar a dimensão do caso e as medidas tomadas para controlar o possível agente infeccioso.
Até o momento, portanto, a hipótese de Acinetobacter baumannii continua sem confirmação oficial.

