
Ao procurar uma vaga de emprego em uma agência do trabalho de Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, a técnica em enfermagem Aldenize Ferreira da Silva, de 46 anos, recebeu uma informação inesperada. Durante a consulta de seus dados, ela descobriu que aparece registrada como presidente da República desde março de 2002.
Segundo Aldenize, o vínculo permanece ativo há mais de duas décadas. Além disso, ela afirma nunca ter trabalhado com carteira assinada. A descoberta ocorreu no último dia 13 de maio, quando apresentou o CPF para atendimento.
“Quando o atendente verificou o sistema, disse que eu trabalhava há mais de 24 anos e ocupava o cargo de presidente da República. Achei que fosse brincadeira, mas a informação aparecia na tela e também na Carteira de Trabalho Digital”, relatou.
Registro gera desconfiança
A técnica afirma que trabalhou apenas por contrato temporário entre 2000 e 2002, exercendo funções de serviços gerais e merendeira em uma escola municipal. Por isso, ela descarta a possibilidade de ter mantido qualquer vínculo formal registrado no sistema.
Além disso, Aldenize não acredita que a situação seja resultado de um simples erro de digitação. A suspeita aumentou após outras mulheres da cidade relatarem casos semelhantes depois da divulgação da história.
Para ela, a existência de registros parecidos indica que o problema pode atingir mais trabalhadores e merece uma investigação mais aprofundada.
Medo de prejuízos profissionais
Além do constrangimento, Aldenize acredita que a inconsistência pode estar prejudicando sua recolocação no mercado de trabalho. Atualmente desempregada, ela afirma ter participado de processos seletivos sem sucesso e teme que o cadastro incorreto esteja influenciando as análises feitas por empregadores.
A técnica também demonstra preocupação com possíveis reflexos na aposentadoria e em seus registros previdenciários. Diante disso, pretende buscar reparação na Justiça.
“Não vou aceitar apenas corrigirem o cadastro. Esse registro ficou mais de 24 anos vinculado ao meu nome e isso me trouxe muitos transtornos”, afirmou.
Ministério aponta falha em cadastro
Após a repercussão do caso, o Ministério do Trabalho e Emprego informou que situações semelhantes podem ocorrer por erros no cadastramento dos códigos da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO).
Segundo a pasta, entre 2002 e 2019 os empregadores enviavam informações trabalhistas por meio da GFIP. Em alguns casos, códigos ocupacionais incorretos teriam sido registrados e posteriormente importados para a Carteira de Trabalho Digital a partir dos dados do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS).
O ministério destacou que a responsabilidade pelo envio correto das informações é dos empregadores. Já os trabalhadores podem solicitar a correção dos registros pela Central 135 ou pelo portal Meu INSS, mediante apresentação da documentação necessária.

