
Uma mulher foi condenada a 9 anos e 4 meses de prisão por tentar matar o companheiro com um bolo envenenado com “chumbinho”, em Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina. O crime aconteceu em 2016, depois que a vítima manifestou a intenção de terminar uma união estável de aproximadamente 20 anos.
O Tribunal do Júri reconheceu a tentativa de homicídio qualificada pelo emprego de veneno e pelo motivo fútil. Além disso, a Justiça determinou o cumprimento da pena em regime inicial fechado e negou à ré o direito de recorrer em liberdade.
Bolo com veneno provocou intoxicação grave
O caso aconteceu em 15 de setembro de 2016, no bairro Cordeiros. Conforme a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), a mulher preparou um bolo com um agrotóxico utilizado como raticida, conhecido popularmente como “chumbinho”.
Segundo a acusação, ela ofereceu o alimento ao companheiro e insistiu para que ele comesse. Depois de ingerir o bolo, o homem sofreu uma grave intoxicação e precisou pedir ajuda a colegas de trabalho.
Na sequência, os colegas socorreram a vítima e a levaram para atendimento médico. Os exames periciais confirmaram a intoxicação e apontaram perigo de vida, além de incapacidade para as atividades habituais por período superior a 30 dias.
Vítima relatou ameaças antes do crime
De acordo com o processo, o casal vivia em união estável havia cerca de duas décadas. Entretanto, a vítima já havia manifestado a intenção de encerrar o relacionamento.
Para o Ministério Público, a tentativa de homicídio ocorreu porque a mulher não aceitava o fim da união. Durante a instrução processual, o homem também relatou que já havia recebido ameaças da companheira relacionadas às tentativas de terminar o relacionamento.
Além disso, a vítima afirmou que, poucos dias antes da intoxicação, a mulher havia mencionado a intenção de comprar veneno para ratos. O relato integrou o conjunto de provas analisadas durante o processo.
Jurados reconheceram duas qualificadoras
A mulher negou a prática do crime e afirmou que não tinha intenção de matar o companheiro. Ainda assim, segundo o MPSC, as provas técnicas e os depoimentos reunidos no processo sustentaram a acusação apresentada pela Promotoria.
O Tribunal do Júri reconheceu as duas qualificadoras levadas ao julgamento. Uma delas foi o motivo fútil, relacionado à não aceitação do fim do relacionamento. A outra considerou o emprego de veneno como um meio que dificultou a defesa da vítima.
O homem sobreviveu porque conseguiu pedir socorro logo após passar mal e recebeu atendimento médico. Assim, a ação dos colegas de trabalho e o atendimento posterior impediram que a intoxicação provocasse a morte.
Condenação ocorreu durante julgamento em Itajaí
A condenação foi definida pelo Tribunal do Júri de Itajaí na sexta-feira (11). A mulher recebeu pena de 9 anos e 4 meses de reclusão, em regime inicial fechado.
Na definição da pena, a Justiça considerou o emprego de veneno como agravante e aplicou a redução prevista para a tentativa de homicídio, já que a vítima não morreu.
Por fim, a Justiça negou o direito de a condenada recorrer em liberdade e determinou a expedição do mandado de prisão. Após o julgamento, ela foi encaminhada ao sistema prisional para iniciar o cumprimento da pena.

