
O inverno no Hemisfério Sul começou oficialmente às 5h24 deste domingo (21). No entanto, a estação mais fria do ano terá um perfil atípico no Brasil devido à confirmação do fenômeno El Niño pela Agência dos Estados Unidos para Oceanos e Atmosfera (Noaa).
Portanto, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico vai alterar o padrão de temperaturas e chuvas em grande parte do país. Assim, reduzindo o rigor do frio que historicamente caracteriza os meses de junho a setembro.
Bloqueio atmosférico e calor
O aquecimento na região equatorial do Pacífico atua diretamente na circulação de ventos sobre a América do Sul. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o El Niño cria uma espécie de barreira invisível na atmosfera.
Esse bloqueio impede que as massas de ar polar avancem de forma livre pelo continente. Como consequência, as frentes frias encontram dificuldades para chegar ao Sudeste e ao Centro-Oeste, concentrando-se mais ao sul. Por isso, estados como São Paulo e Mato Grosso do Sul devem registrar marcas nos termômetros acima da média histórica para o período.
Alerta de temporais na Região Sul
Se por um lado o bloqueio atmosférico garante dias mais quentes no Brasil Central, por outro ele retém a instabilidade sobre os estados sulistas. O inverno já é uma estação chuvosa no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná, mas a dinâmica do El Niño potencializa esse cenário.
Meteorologistas alertam para o risco elevado de eventos climáticos extremos. O fenômeno favorece pancadas volumosas em curtos intervalos de tempo, o que eleva a possibilidade de enchentes e deslizamentos em áreas vulneráveis.
Desafio da previsão a longo prazo
As mudanças climáticas globais têm tornado o trabalho dos cientistas mais complexo. O aquecimento acelerado do planeta desregula os ciclos tradicionais e estende a duração de anomalias térmicas.
Períodos de seca ou de cheias que antes duravam dois meses agora se estendem por quase meio ano. Essa quebra de padrão dificulta as projeções feitas com grande antecedência e exige monitoramento constante dos institutos de pesquisa.
Papel da astronomia no clima
Apesar das interferências do El Niño, a estação mantém suas características astronômicas básicas de menor incidência de luz solar no Hemisfério Sul. A percepção desse efeito, contudo, varia drasticamente pela extensão territorial do Brasil.
No extremo sul do país, em Chuí (RS), os dias ficam visivelmente mais curtos, com menos de 10 horas de luz solar. Já em Macapá (AP), cidade cortada pela Linha do Equador, o dia e a noite dividem o tempo de forma quase igualitária, sem grandes variações térmicas ao longo de todo o ano. A primavera assumirá o calendário no dia 22 de setembro.

