
A Polícia de São Paulo confirmou a morte da influenciadora Heloisa de Carvalho Martin Arribas, de 56 anos, filha do escritor bolsonarista Olavo de Carvalho. O corpo foi encontrado por um amigo na noite de quarta-feira (7), na casa dela, em Atibaia, no interior paulista.
De acordo com o Boletim de Ocorrência, os agentes chegaram a residência em torno de 22h52 e ficaram no local até às duas da madrugada. Heloisa estava na cama, em decúbito dorsal. Ao lado foi encontrado um copo contendo um líquido de coloração alaranjada. Já na cozinha, os agentes encontraram uma lata de cerveja aberta, duas garrafas de bebida vazias e uma garrafa de água contendo resquícios de uma substância branca aparentando medicamento. Foram encontrados ainda dois frascos de Epilenil abertos e vazios e o antifúngico Nistatina, contendo metade do conteúdo.
O Epilenil é um medicamento anticonvulsivante (antiepiléptico) cujo princípio ativo é o valproato de sódio (ou ácido valpróico). Ele é utilizado principalmente para o tratamento de diversos distúrbios neurológicos.
Ainda de acordo com o BO, Heloísa deu entrada no dia anterior com suspeita de intoxicação por medicamentos. Ela teve alta logo após o atendimento.
Atendimento no hospital
Ainda de acordo com o BO, Heloísa deu entrada no dia anterior também com suspeita de intoxicação por medicamentos. Ela teve alta logo após o atendimento.”
Bastante combativa nas redes sociais, Heloísa mantinha posições políticas contrárias às do pai. Ela costumava relatar os probblemas sofridos na infância, quando foi abandonada por Olavo.
Na sua conta no X – antigo twitter – a influenciadora se apresentava na bio com a seguinte frase: “Jamais não serei, o que quero ser. Alguém tem alguma dúvida de que se hoje fosse lá nos anos de chumbo, de que lado eu estaria e se eu não estaria na luta armada???”.
Quem foi Olavo de Carvalho?
Olavo de Carvalho foi um escritor que se tornou uma espécie de guru da extrema direita, inspirando o movimento bolsonarista no Brasil. Ele morreu em 2022, e fez questão de deixcar a filha Heloísa de fora do seu testamento. Na época, Heloísa encarou a situação com humor. “Como sempre trabalhei na vida, diferente de alguns dos meus irmãos, eu não conto com dinheiro dele pra viver”, ressaltou.

Relação tumultuada
Conhecida por seu relacionamento tumultuado com o pai, Heloísa chegou a ser filiada ao PT. Em 2017, por exemplo, Olavo prestou uma queixa-crime contra ela. Na ação, ele a acusava de integrar uma organização criminosa apoiada por partidos de esquerda para destruir a sua reputação. O caso, é claro, foi arquivado.
Denunciou Queiroz
Helísa foi uma das denunciantes do paradeiro de Fabrício Queiroz, preso em Atibaia em junho de 2020. O ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) era peça-chave em investigação de esquema de corrupção envolvendo o gabinete do filho do presidente, quando ele era parlamentar no Rio.
Na ocasião, ela contou que fez o relato ao Ministério Público e publicou em redes sociais. Foragido da Justiça, Queiroz estava escondido em uma casa em Atibaia, no interior de São Paulo de propriedade de Fred Wassef, advogado de Flávio e que sempre se apresentou também como defensor do presidente.
Em 20 de maio, ela e o amigo Bruno Maia, candidato a deputado federal pelo PSOL nas últimas eleições, publicaram no Instagram uma foto da fachada da casa de Frederick Wassef no interior de São Paulo. Na legenda, informavam que Queiroz estava escondido no local.
Após a prisão de Queiroz, Heloísa e Bruno fizeram um brinde com suco de laranja na porta oda casa de Wassef, uma referência ao esquema da “rachadinha”, investigado pelo Ministério Público. Segundo as investigações, salários de funcionários do gabinete de Flávio eram desviados em uma rede de ‘laranjas’ operada por Queiroz.

