
Às vésperas da 38ª edição da Fenarreco, que ocorre de 9 a 19 de outubro em Brusque, uma família da comunidade de Cedro Alto trabalha em ritmo acelerado para garantir o sabor mais tradicional da festa: o marreco recheado. Na alta temporada, a empresa Kiave, da família Vailati, chega a abater 2,5 mil aves por semana, abastecendo, dessa forma, restaurantes e o evento que celebra a cultura e a gastronomia germânica.
Fundada em 1993 com o apoio da Epagri, a granja é uma das duas únicas fornecedoras de marrecos em Santa Catarina. Sob o comando de Daiane Vailati, 43 anos, o negócio familiar se profissionalizou e mira novos mercados. “Nosso marreco também é usado por restaurantes chineses e de alta gastronomia. Há muito espaço para crescer, especialmente em grandes centros como São Paulo”, afirma Daiane.
Atualmente com 25 funcionários, a empresa mantém um processo de produção que combina tradição e tecnologia. As aves chegam aos galpões com um dia de vida e são abatidas com 56 dias, atingindo peso médio de 4,5 kg. A família Vailati vende o marreco inteiro, recheado, bem como, em cortes, e mantém viva a tradição ao preparar o recheio com a receita da nona.
A modernização da estrutura foi essencial para atender às exigências sanitárias. A empresa modernizou o processo: mecanizou a evisceração e implantou tanques automatizados que mantêm a carne em temperatura constante. “Antes, todo o processo era manual e usávamos gelo. Agora, temos mais qualidade e segurança alimentar”, compara Daiane.
Técnologia e modernização
Além de investir em tecnologia, a empresa também busca ampliar a sustentabilidade da produção. A família planeja instalar um biodigestor por meio do Pronaf, o que permitirá aproveitar resíduos e reduzir o consumo de energia. O projeto inclui ainda a ampliação das granjas em Canelinha, em parceria com produtores locais.

O extensionista da Epagri em Brusque, Alexandre Lysenko, destaca que a tradição pode ir além das festas. “Estamos em negociação com a prefeitura para incluir a carne de marreco na merenda escolar, uma forma de ampliar o mercado e incentivar o consumo desde cedo”, ressalta.
Nada se perde na produção. A Kiave, portanto, aproveita integralmente a produção. Transforma os dejetos misturados ao cepilho em adubo e comercializa as penas com uma fábrica de travesseiros em São Paulo. Com o Selo Arte conquistado em 2022, a Kiave já comercializa seus produtos em todo o país, mas a maior demanda ainda vem do Vale do Itajaí — onde o marreco segue sendo símbolo da culinária do Vale Europeu e o prato principal da festa mais saborosa de Brusque.

