
A CPI do Crime Organizado marcou para esta quarta-feira (8), às 9h, um depoimento que deve agitar os bastidores do sistema financeiro. O atual presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, e seu antecessor, Roberto Campos Neto, comparecerão ao Senado para prestar esclarecimentos sobre a atuação da autarquia em relação ao Banco Master e ao seu ex-controlador, Daniel Vorcaro.
Critérios do Banco Central
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da comissão, é o autor do requerimento para ouvir Roberto Campos Neto. O parlamentar argumenta que o ex-presidente do BC, que chefiou a instituição entre 2019 e 2025, é uma “testemunha qualificada” para detalhar os processos de fiscalização da época.
Em 2019, o Banco Central autorizou Daniel Vorcaro a assumir o antigo Banco Máxima, que posteriormente se tornou Banco Master. Entretanto, a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, investiga agora se houve conivência ou ação ilegal de servidores do BC para proteger os interesses da instituição financeira.
Além disso, Vieira acredita que a experiência de Campos Neto ajudará a CPI a identificar:
- Lacunas regulatórias no sistema financeiro;
- Propostas para evitar a infiltração de organizações criminosas em bancos;
- Possíveis falhas nos critérios de idoneidade exigidos de novos controladores.
Reunião no Planalto gera questionamentos
Por outro lado, o convite a Gabriel Galípolo foca em eventos mais recentes. O senador Eduardo Girão (Novo-CE) baseou seu pedido em notícias sobre uma reunião ocorrida no Palácio do Planalto em novembro de 2024. Segundo o parlamentar, o encontro contou com a presença do presidente Lula, de Galípolo e do próprio Daniel Vorcaro.
Consequentemente, Girão questiona a “finalidade institucional” desse encontro. O senador afirma que a oitiva busca garantir a transparência e afastar qualquer suspeita de interferência política ou econômica nos processos de controle do sistema financeiro.
“A oitiva pretendida não se dirige à atividade técnica do Banco Central em si, mas à necessidade de assegurar transparência institucional”, destaca o requerimento de Girão.
Próximos passos
A reunião de quarta-feira será crucial para a CPI determinar se houve negligência ou favorecimento dentro da autoridade monetária. Enquanto Campos Neto deve responder sobre o histórico regulatório e as autorizações passadas, Galípolo terá que explicar a proximidade institucional com figuras investigadas pela Polícia Federal.
Com informações da Agência Senado.

