
A rede de móveis e decoração Tok&Stok fechou lojas em diferentes cidades do país e intensificou uma grande liquidação com descontos de até 70% em milhares de produtos. A movimentação cresceu nesta sexta-feira (22), principalmente em unidades de São Paulo, onde consumidores lotaram corredores, disputaram peças e aproveitaram os últimos dias de funcionamento de algumas lojas. Ao mesmo tempo, a empresa tenta atravessar uma grave crise financeira após entrar em recuperação judicial.
Clientes correm para aproveitar descontos
Assim que os descontos começaram a aparecer, o movimento disparou nas lojas. Em unidades da capital paulista, consumidores chegaram cedo, circularam pelos estoques e levaram móveis, cadeiras, estantes, mesas e itens de decoração com preços muito abaixo do normal.
Na loja do D&D Shopping, por exemplo, clientes formaram filas e esvaziaram setores inteiros. Além disso, vendedores precisaram acelerar atendimentos enquanto parte dos produtos já vendidos aguardava apenas entrega.
A cena virou quase uma caça ao tesouro. Afinal, quando um sofá aparece pela metade do preço, o consumidor brasileiro age rápido, compara pouco e fecha negócio antes que outro leve.
Fechamentos aumentam pressão sobre a marca
Enquanto as liquidações avançam, a Tok&Stok também reduz sua presença física. A rede já encerrou atividades em unidades importantes, como as lojas da Pompeia e do Shopping Cidade São Paulo. Além disso, a empresa também fechou operações em Salvador.
O movimento faz parte de um plano de contenção de despesas. A companhia tenta diminuir custos operacionais, reduzir prejuízos e reorganizar dívidas que ultrapassam R$ 1 bilhão.
Ainda assim, a crise não surgiu agora. Desde 2023, a marca já vinha fechando unidades em vários estados. Naquele momento, a empresa começou a enfrentar queda nas vendas, aumento do endividamento e dificuldade para manter o ritmo de expansão.
Juros altos travaram consumo
Ao mesmo tempo, o mercado de móveis perdeu força nos últimos anos. Durante a pandemia, milhões de brasileiros investiram em reformas e conforto dentro de casa. Depois disso, porém, o cenário mudou rapidamente.
Com juros altos, crédito mais caro e inflação pressionando o orçamento, muita gente adiou compras consideradas menos urgentes. E o setor de móveis sentiu o impacto quase imediatamente.
Além disso, o segmento enfrenta custos logísticos elevados. Sofás, armários e mesas exigem transporte caro, armazenamento amplo e distribuição complexa. Com menos vendas entrando no caixa e despesas crescendo, várias empresas começaram a apertar o freio.
Empresa tenta sobreviver à crise
Mesmo diante do cenário delicado, a Tok&Stok ainda tenta preservar parte da operação. A recuperação judicial busca justamente reorganizar pagamentos, negociar dívidas e manter unidades estratégicas funcionando.
Enquanto isso, consumidores seguem aproveitando as últimas ofertas. Em algumas lojas, peças de mostruário praticamente desapareceram em poucas horas. Já em outras unidades, funcionários aceleram a reposição enquanto o estoque diminui dia após dia.
No fim das contas, a liquidação virou um retrato claro do momento vivido pela rede. De um lado, clientes enxergam oportunidade. Do outro, a empresa corre contra o tempo para tentar se reinventar em um mercado cada vez mais competitivo.

