
Os protestos em todo o Brasil em repúdio ao crescimento no número de feminicídios também rendeu manifestações em Santa Catarina. Com faixas, cartazes e carro de som, centenas de pessoas percorreram as ruas de Florianópolis, Blumenau, Joinville, Chapecó, Itajaí, Brusque pelo fim da violência contra a mulher. Os atos fizeram parte da mobilização nacional convocada pelo movimento Mulheres Vivas, que organizou manifestações simultâneas em várias capitais e municípios brasileiros.
O clima dos protestos foi marcado pela indignação diante da sucessão de casos de feminicídio registrados nos últimos meses. Em alguns atos, houve homenagens a vítimas recentes, incluindo vigílias, leitura de nomes e cruzes simbólicas em praças públicas. Em Florianópolis,os manifestantes partiram da cabeceira da Ponte Hercílio Luzm e fizeram referência à professora Catarina Kasten, que foi violentada e assassinada no Sul da Ilha.
Organizações feministas apontam falhas na rede de proteção, como o descumprimento de medidas protetivas, a morosidade da Justiça e a ausência de ações integradas entre segurança pública, assistência social e saúde.
Movimento Mulheres Vivas
Os protestos ocorrem poucos dias após audiências públicas em Florianópolis discutirem a violência de gênero no estado. Representantes do Judiciário, do Ministério Público e de coletivos feministas afirmaram que, apesar de alguns avanços estatísticos, a sensação de insegurança permanece alta e que a violência contra mulheres continua sendo tratada de forma insuficiente pelo poder público.

A mobilização nacional pretende manter a pauta em evidência e pressionar governos estaduais e federal por ações emergenciais. Em Santa Catarina, os grupos organizadores reforçaram que os atos devem continuar ao longo do mês, com novas atividades previstas para diferentes regiões do estado.
Apenas no mês passado, Santa Catarina registrou ao menos nove feminicídios, e o número acumulado desde janeiro já chega a 47 casos, distribuídos por praticamente todas as regiões do estado.
Em Blumenau, o ato começou às 16h, aos pés da Catedral São Paulo Apóstolo, no Centro. Um cartaz preto com letras brancas, trazendo a frase “Mulheres Vivas. Feminicídio Não”, tornou-se símbolo do protesto. Após uma roda de conversa inicial, os participantes seguiram em passeata pela Rua XV de Novembro, pedindo ações concretas das autoridades para enfrentar a violência de gênero.



No Oeste do Estado, o movimento Levante Mulheres Vivas também levou dezenas de pessoas às ruas de Chapecó. A concentração ocorreu na Praça Coronel Bertaso. De lá, cerca de 150 moradores caminharam pela Avenida Getúlio Vargas, clamando por justiça e maior proteção às mulheres.
A indignação nas ruas também foi alimentada por episódios recentes de grande repercussão. Entre eles, o caso registrado em Presidente Getúlio, no fim do mês passado, quando um homem condenado por ajudar o irmão a ocultar os corpos da cunhada e dos dois sobrinhos — de dois e quatro anos — deixou a prisão após cumprir pouco mais de um ano de detenção. Ele recebeu o benefício da prisão domiciliar. O autor do crime, irmão do condenado, tirou a própria vida.
Com números crescentes e episódios marcados por brutalidade, os movimentos sociais reforçam que os protestos devem continuar até que o poder público apresente respostas mais eficazes e políticas integradas de prevenção ao feminicídio.
Militante da causa feminista, a vereadora Ingrid Saterê Mawê, de Florianopolis, participoi da manifestação e também publicou um desabafo nas suas redes sociais.
“Hoje a rua pulsou. Mulheres vivas, mulheres livres. Porque não dá mais pra aceitar que amar vire ameaça, que o Estado seja omisso, que nossas vidas sejam estatística. Cada passo, cada voz, cada cartaz hoje dizia em coro: Basta. Não é ciúme, é controle. Não é briga, é violência. Não é tragédia, é feminicídio. Seguimos juntas com coragem, com política e com fogo no olhar até que nenhuma de nós precise lutar para existir”.

