
A Polícia Civil de Pernambuco incluiu fotos das deputadas federais Duda Salabert e Erika Hilton em um álbum de suspeitos exibido a uma vítima de roubo de celular, no Recife, após um crime registrado em fevereiro de 2025, e o caso veio à tona nesta quarta-feira (25) após questionamento da Defensoria Pública.
Polícia erra no procedimento
Primeiro, a polícia reuniu imagens para tentar identificar a autora do roubo. Em seguida, apresentou o material à vítima. No entanto, incluiu no álbum fotos das parlamentares, que não têm qualquer relação com o crime.
Além disso, o procedimento ignorou critérios básicos. A Defensoria Pública apontou que a seleção das imagens não respeitou a exigência de semelhança física com a suspeita descrita. Ou seja, a etapa que deveria garantir precisão acabou comprometendo toda a identificação.
Defensoria reage e aponta irregularidade
Assim que analisou o caso, a Defensoria agiu. O órgão questionou formalmente a conduta da polícia e destacou falhas no reconhecimento fotográfico.
Ao mesmo tempo, reforçou que o Código de Processo Penal exige um método claro. Primeiro, a vítima descreve o suspeito. Depois, a autoridade apresenta imagens semelhantes. Quando isso não acontece, o risco de erro dispara.
Deputadas criticam e cobram resposta
Logo após tomarem conhecimento, as deputadas reagiram. Duda Salabert exigiu a retirada imediata das imagens e classificou o episódio como inaceitável.
Na sequência, Erika Hilton elevou o tom. Ela afirmou que o caso revela um padrão preocupante e, além disso, anunciou que vai buscar responsabilização.
Ambas apontam um ponto sensível. Segundo elas, a escolha das imagens não seguiu critérios técnicos, mas sim fatores ligados à identidade de gênero e raça.
Governo abre investigação
Diante da repercussão, o governo de Pernambuco se posicionou rapidamente. A Secretaria de Defesa Social abriu investigação e acionou a Corregedoria.
Agora, a apuração busca identificar quem incluiu as imagens e por qual motivo. Ao mesmo tempo, o governo afirmou que não tolera práticas discriminatórias e que exige rigor técnico nas investigações.
Regras existem, mas não foram seguidas
A lei é direta. O reconhecimento de suspeitos precisa seguir etapas objetivas para evitar erros.
Primeiro, vem a descrição. Depois, a comparação com pessoas ou imagens semelhantes. Sem isso, o procedimento perde validade e, pior ainda, pode gerar injustiças.
Especialistas são categóricos. Quando a polícia ignora o método, ela enfraquece a própria investigação.
No fim das contas, o episódio escancara uma falha que não cabe mais no sistema. Quando a pressa atropela o protocolo, a justiça sai do trilho. Agora, a investigação interna precisa ir até o fim. Caso contrário, o erro vira rotina.

