
A Polícia Federal intensificou nesta quinta-feira (14) a investigação sobre cerca de R$ 61 milhões supostamente repassados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Agora, os investigadores querem saber se o valor realmente financiou a cinebiografia ou se acabou sendo usado para garantir influência política e vantagens indevidas.
Além disso, a apuração também cita o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que teria participado das tratativas relacionadas ao projeto audiovisual. O caso ganhou força após novos documentos e depoimentos entrarem no radar da PF.
PF rastreia origem e destino do dinheiro
Neste momento, a principal frente da investigação está no caminho do dinheiro. A Polícia Federal quer descobrir de onde saiu cada valor, para onde ele foi e quem, de fato, recebeu os recursos.
Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, Daniel Vorcaro teria prometido R$ 134 milhões para ajudar na produção do longa “Dark Horse”, que contaria a trajetória política de Jair Bolsonaro. No entanto, até agora, os investigadores localizaram provas de repasses que somam cerca de R$ 61 milhões.
Por isso, a PF tenta confirmar se esse montante chegou à produtora responsável pelo filme ou se seguiu outro rumo, possivelmente ligado a interesses políticos e articulações paralelas.
Investigação apura possível favorecimento político
Mais do que o valor milionário, o que chama atenção dos investigadores é a suspeita de contrapartida política. A PF quer saber se houve troca de favores, benefício pessoal ou atuação de agentes públicos em defesa de interesses privados.
Ou seja, o foco não está apenas no financiamento do filme, mas principalmente na possibilidade de influência política indevida.
Apesar disso, nem Jair Bolsonaro nem Flávio Bolsonaro aparecem, até agora, como investigados formais no inquérito. Ainda assim, os nomes seguem no centro das apurações por causa das conversas e negociações envolvendo o projeto.
Produtora diz que não recebeu nenhum valor
Enquanto a investigação avança, a produtora Goup Entertainment negou qualquer recebimento de dinheiro vindo de Vorcaro ou de empresas ligadas a ele.
Em nota oficial, a empresa afirmou que não recebeu “um único centavo” para a produção da cinebiografia. Essa declaração aumentou ainda mais a pressão sobre a investigação, já que a PF agora precisa esclarecer para onde foi o dinheiro citado nos documentos.
Na quarta-feira (13), o site The Intercept publicou reportagem afirmando que o então pré-candidato teria buscado apoio financeiro de Daniel Vorcaro para viabilizar o filme sobre o pai. A publicação ampliou a repercussão política e acelerou o interesse sobre o caso.
Caso pressiona aliados políticos
O episódio acontece em meio ao avanço de outras investigações envolvendo Daniel Vorcaro e empresas ligadas ao Banco Master. Por isso, a Polícia Federal ampliou o cerco e passou a analisar se as movimentações financeiras ultrapassaram o ambiente empresarial e chegaram ao núcleo político.
Com isso, o caso pode gerar novos desdobramentos e aumentar a pressão sobre aliados do bolsonarismo, especialmente em um momento de forte movimentação pré-eleitoral.
Quando o dinheiro muda de endereço, a política costuma perder o sono. E Brasília, convenhamos, dorme pouco.

